O Wall Street Journal chama-lhe “a maior falha geral de eletricidade na história da Venezuela” e aponta alguns dos efeitos imediatos: “pacientes de diálise sem tratamento, voos cancelados por companhias aéreas e fábricas e escolas com as portas fechadas numa nação ainda a sofrer de um colapso económico”. Grande parte da Venezuela — Juan Guaidó, opositor de Maduro, falou em cerca de 90% do país — esteve quase 20 horas sem eletricidade e os efeitos podem ser vistos nas fotografias acima. Cerca de uma centena de pessoas morreu em hospitais venezuelanos devido a falhas nos serviços médicos nas últimas semanas, que se terão acentuado com as falhas de eletricidade, refere a estação pública francesa France 24.

[Vídeo: O terceiro apagão em menos de duas semanas]

Os relatos sobre o estado atual da Venezuela divergem consoante a inclinação política dos meios de comunicação locais. O site venezuelano de notícias Prodavinci relata que a eletricidade “voltou parcialmente ao país a partir das 12h40” (16h40 em Portugal continental) de esta sexta-feira, 8 março, “quase 20 horas depois da falha”. O jornal venezuelano El Nacional avança que a eletricidade voltou nas regiões de El Paraíso, San Bernardino, El Valle, 23 de Enero, Caricuao, Montalbán e Las Acacias e em alguns pontos do estado Miranda, mas até há três horas “70% da zona norte do estado Anzoátegui permanecia sem serviço elétrico e com falhas de rede móvel”.

Também parte do estado Carabobo e o estado Barinas continuavam sem luz até ao final da tarde em Portugal e “no ocidente do país, em várias zonas mantém-se uma falha elétrica. O sinal de telefone fixo e móvel também apresenta dificuldades”, aponta o El Nacional. Em Caracas, a capital do país, a eletricidade voltou a algumas zonas da cidade às 14h30 de esta sexta-feira, 18h30 em Portugal continental. Foi, no entanto, sol de pouca dura — o site La Patilla relata que a eletricidade voltou a falhar em Caracas passado duas horas. Chamou-lhe uma “alegria de tísico”.

No aeroporto internacional Simon Bolivar, instalou-se um pequeno caos, dado o cancelamento de voos decorrente do apagão generalizado de eletricidade (@ Yuri Cortez/AFP/Getty Images)

O apagão generalizado no país — atribuído pelo regime primeiro a uma falha simples numa central hidroelétrica, depois a “uma guerra elétrica” e a sabotagem norte-americana — levou o líder da oposição a Nicolás Maduro, Juan Guaidó, a deslocar-se esta sexta-feira a várias ruas de Caracas e a instar os venezuelanos a sair à rua já este sábado, 9 de março, dia para o qual estava agendada uma grande manifestação:

Venezuela, agora com mais força do que nunca, é preciso voltar às ruas de todo o país. Regressemos às ruas e não as abandonemos. Para conseguir o regresso da luz (…) devemos manter-nos sempre firmes, unidos e mobilizados”, apontou, citado pelo La Patilla.

O chefe do parlamento, que se autoproclamou Presidente interino, disse às 23h de esta quinta-feira, 7 de março (madrugada de sexta-feira em Portugal), que havia ainda 22 estados do país sem luz e imputou ao regime responsabilidades pelo apagão. “A corrupção e o desastre são as responsáveis por esta situação”, afirmou, lamentando que a Venezuela, que possui grandes reservas de petróleo, esteja a ser afetada por cortes elétricos.

A falha generalizada de eletricidade no país começou às 17h de quinta-feira, 21h em Lisboa. Face à situação, Nicolás Maduro decidiu suspender as aulas e as jornadas laborais “tanto públicas como privadas”, com o objetivo de “poder facilitar os trabalhos de recuperação do serviço elétrico nos estados afetados”.

Em Caracas ninguém trabalha ou vai à escola, decretou Maduro depois do apagão

Até à tarde de esta sexta-feira, as ruas da Venezuela estiveram quase vazias, enquanto o comércio, escolas e universidades permaneciam encerrados, referiu a agência noticiosa Efe, citada pela agência Lusa. As poucas estações de gasolina em funcionamento registavam um grande afluxo e eram vigiadas pela polícia, enquanto os serviços de saúde apenas asseguravam os casos mais urgentes.