Telecomunicações

Suspeitas da NATO sobre Huawei. Defesa diz “não ter nenhuma base” para preocupações

António Costa, na entrega à NATO de um edifício para a Agência de Comunicações e Informações, não respondeu. Já o Ministro da Defesa, diz que decisões sobre Huawei vão "ser tomadas no momento certo".

João Cravinho, ministro da Defesa, António Costa, primeiro-ministro, e Kevin Scheid, Diretor-Geral da Agência de Comunicações e Informação da NATO

MANUEL PESTANA MACHADO/OBSERVADOR

Os Estados Unidos já avisaram: acordo para infraestruturas 5G com a Huawei pode afetar relação de Portugal, um dos “parceiros mais próximos na NATO”, como disse o embaixador dos EUA, George Edward Glass, no final de fevereiro. Esta quinta-feira, o governo, pela mão do primeiro-ministro, entregou a chave do novo edifício da Academia de Comunicações e Informação da NATO. Para António Costa, esta infraestruturas em Oeiras “quer pôr Portugal no mapa das telecomunicações”. O líder do governo não dispensou tempo para responder a perguntas de jornalistas, mas o ministro da defesa, João Cravinho, garantiu que “a defesa não tem nenhuma base para fazer isso”. E isso é manifestar preocupação relativamente a empresas chinesas como a Huawei ou a ZTE em infraestruturas de telecomunicações.

Num momento em que, nesta semana, tanto a Comissão Europeia, como a NATO, admitiram eventuais ações sobre a empresa de telecomunicações chinesa Huawei, tendo em conta as preocupações de segurança, o ministério da Defesa demarcou-se da questão. “Vai-se obviamente ter em conta todas as informações que forem disponíveis sobre essa matéria e decisões serão tomadas no momento certo pelas entidades certas. E não é a Defesa que faz concursos sobre 5G”, disse o Ministro da Defesa.

Tenho de ser claro a este respeito: nós estamos a fazer o nosso trabalho em matéria de ciberdefesa, que é um trabalho em que estamos a acelerar muito a formação das pessoas que trabalham neste domínio. Consideramos que é uma área de vulnerabilidade para todos os países da NATO, incluindo para o nosso, e pensamos que ao longo dos próximos anos com os investimentos que estamos a fazer em termos de equipamento — e sobretudo em termos de recursos humanos — que teremos as melhores condições possíveis para garantir segurança aos portugueses”, afirmou João Cravinho.

O político responsável pelo ministério da Defesa disse ainda não ter “nenhuma informação ou preocupação em relação” a eventuais parcerias feitas no âmbito de redes de telecomunicações com empresas chinesas como a ZTE ou a Huawei, ao contrário do que tem sido manifestado pelo departamentos da Defesa de outros países da Aliança do Atlântico Norte. Contudo, João Cravinho afirmou apenas viu “pela imprensa que houve uns contactos com outros ministérios [por parte dos norte-americanos”.

As declarações foram feitas à margem da entrega da chave do novo edifício da Academia de Comunicações e Informação da NATO que, como disse esta quinta-feira Kevin Scheid, Diretor-Geral da Agência de Comunicações e Informação da NATO, “vai fazer com que Portugal seja um aliado chave na aliança”. Este edifício vai permitir “uma formação de alto nível” para os técnicos desta organização militar.

Em dezembro, na visita do presidente chinês a Portugal, Xi Jiping, a Huawei e a Altice assinaram um memorando para a empresa ser a primeira a criar as infraestruturas de redes 5G em Portugal. Esta parceria, “que é apenas um memorando”, como disse a Huawei em fevereiro, não vincula a Altice a obrigações com a empresa. Num momento em que os concursos para esta nova rede de telecomunicações ainda não foram abertos, tem havido preocupações de segurança e económicas relativamente ao facto de ser a China a estar à frente nesta tecnologia.

A Huawei tem, reiteradamente, afirmado que as preocupações manifestadas por países como os Estados Unidos, relativamente a cibersegurança e ingerência do governo chinês na empresa, são infundadas.

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