Depressão

Suplementos alimentares não previnem depressão

Os suplementos alimentares e a mudança do estilo de vida não foi eficaz na prevenção da depressão em doentes com excesso de peso. Mais de mil pessoas em quatro países europeus participaram no estudo.

O psiquiatra português Ricardo Gusmão pede a proibição da "publicidade falaciosa em torno das qualidades antidepressivas de nutrientes"

GEORG DIENER/EPA

Autor
  • Agência Lusa

A toma de suplementos alimentares mostrou-se incapaz de prevenir a depressão, segundo um estudo realizado em mais de mil pessoas de quatro países europeus e publicado este mês na revista científica JAMA.

Os investigadores quiseram testar se a toma de suplementos nutricionais ou alimentares, como zinco, selénio, cálcio ou vitamina D, tinham impacto na prevenção de depressão major.

Os participantes no estudo, todos com excesso de peso e identificados como tendo “risco elevado” de depressão, foram divididos em grupos distintos, sendo acompanhados durante um ano. O primeiro grupo tomava diariamente um suplemento alimentar que continha ómega 3, cálcio, ácido fólico, vitamina D, zinco, selénio e outra parte tomava apenas um placebo. Metade dos participantes recebeu também uma intervenção para mudança do seu estilo de vida e adoção de comportamentos mais saudáveis.

Durante o acompanhamento de 12 meses, 10% dos mais de mil participantes desenvolveram depressão, num total de 105 pessoas de Espanha, Alemanha, Reino Unido e Holanda. Desses 105 que desenvolveram depressão, 25 estavam no grupo que apenas tomava placebo, 26 tomavam placebo e recebiam terapia de grupo, 32 eram do grupo da toma de suplemento alimentar sem terapia e 22 combinavam suplementos com terapia de grupo. Os investigadores concluíram que nenhuma das estratégias influenciou ou afetou o desenvolvimento de depressão.

O psiquiatra português Ricardo Gusmão lembra que a “depressão major é talvez a doença que mais incapacidade gera em todo o mundo”. “A esperança de que fosse possível prevenir a ocorrência de depressão através da toma de nutrientes genericamente apontados como protetores foi incisivamente prejudicada por este estudo sólido e bem estruturado”, considera, num comentário à agência Lusa sobre a investigação.

Ricardo Gusmão, dirigente em Portugal da Aliança Europeia Contra a Depressão, defende ainda que as conclusões do estudo permitem “retirar consequências para a definição de política de saúde pública”.

Isso pode passar por proibir a “publicidade falaciosa em torno das qualidades antidepressivas de nutrientes” e promover as terapêuticas que têm provas de eficácia, “como a generalidade de antidepressivos” para os vários tipos e níveis de gravidade da depressão, bem como psicoterapia para as depressões ligeiras e moderadas, argumenta o psiquiatra, também professor na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)