Dois aviões da Força Aérea russa chegaram no sábado ao aeroporto internacional Símon Bolívar, em Caracas. As aeronaves transportavam 35 toneladas de material e quase uma centena de militares russos, sob supervisão do chefe do comando principal das forças terrestres da Rússia, Vasilly Tonkoshkurov.

As imagens da chegada foram gravadas por pessoas que se encontravam no aeroporto e, posteriormente, enviadas ao jornalista venezuelano Javier Mayorca, que vive na Colômbia, e que divulgou a notícia, refere o  jornal espanhol El Mundo. Pelo que o jornalista relata, um avião de passageiros Ilyushin IL-62 chegou ao principal aeroporto da capital do país com 100 militares e, poucos minutos depois chegava um avião de carga militar Antonov An-124 Ruslan. Através do site de monitorização de voos Flightradar24, é possível constatar que esta duas aeronaves partiram do aeroporto militar russo Chkalovsky, perto de Moscovo, e que tiveram uma paragem na Síria.

Segundo a agência de notícias russa Sputnik, citando fonte anónima da embaixada russa, os funcionários tinham-se deslocado à Venezuela para realizar contratos de caráter militar que estão por cumprir. “A Rússia tem vários contratos que já estão em processo de cumprimento, contratos técnicos militares, e fazem vários voos e trazem várias coisas “, precisou a fonte.

A fonte da embaixada acrescenta ainda que estes voos nada têm de misterioso, mas, ainda assim, recusou-se a especificar quantos militares eram ou que equipamento traziam.

Embora esta chegada não tenha sido tornada pública pelo regime de Nicolás Maduro, no aeroporto, à espera dos dois aviões estava o vice-almirante venezuelano Mata Quejada e o general Edgar Colina, refere o jornal espanhol.

O jornalista Mayorca, citado pelo jornal colombiano, Noticero Digital considerou que a presença na Venezuela de Vasilly Tonkoshkurov e dos militares tem como objetivo demonstrar o apoio do Presidente russo ao seu homólogo venezuelano.

Ainda este domingo, foi avistado outro avião militar com bandeira russa na  pista do mesmo aeroporto, refere a BBC.

Esta notícia surge três meses depois de os dois países terem realizado treinos militares em solo venezuelano. Nessa altura, o Presidente de facto Nicolás Maduro referiu que era “um sinal de fortalecimento das relações” entre os países, mas Washington considerou-o como sendo uma invasão da Rússia na região.

A administração de Donald Trump aplicou sanções severas à indústria petrolífera da Venezuela para tirar Maduro do poder e pediu aos líderes militares que o abandonem. Em resposta, Maduro denunciou as sanções como intervencionismo dos EUA e conseguiu o apoio diplomático da Rússia e da China.

Já em dezembro, dois aviões de bombardeios russos, capazes de transportar armas nucleares, aterraram na Venezuela, numa demonstração de apoio ao regime de Maduro.