Estados Unidos da América

Congresso dos EUA exige a Trump fim do envolvimento militar no Iémen

O Congresso norte-americano aprovou uma resolução que põe fim ao apoio à coligação militar saudita que intervém no Iémen, e que deverá implicar um veto do Presidente dos EUA

Andrew Harrer / POOL/EPA

O Congresso norte-americano aprovou esta quinta-feira uma resolução que exorta Donald Trump a terminar com todo o apoio à coligação militar saudita que intervém no Iémen, e que deverá implicar um veto do Presidente dos EUA.

Esta foi a primeira vez na sua história que o Congresso dos Estados Unidos aprovou um voto destinado a limitar os poderes presidenciais em termos de envolvimento militar no estrangeiro.

“Hoje erguemo-nos claramente contra a guerra e a fome, e a favor dos poderes militares do Congresso, ao votar pelo fim da nossa cumplicidade na guerra do Iémen”, reagiu o senador independente Bernie Sanders, candidato às primárias Democratas e autor da resolução.

A Câmara dos Representantes, com maioria do Partido Democrata, aprovou o texto (247 votos contra 175), que já tinha sido legitimado pelo Senado, controlado pelos Republicanos.

Pelo menos 15 eleitos Republicanos da Câmara aprovaram a proposta de lei, num revés particularmente humilhante para o Presidente Donald Trump, que deverá impor o seu direito de veto presidencial para bloquear uma medida aprovada com o apoio de parte do seu próprio campo.

Pela primeira vez em 45 anos, o Congresso utilizou uma lei votada em 1973 (War Powers Resolution) para limitar os poderes militares de um Presidente do país.

Com a resolução sobre o Iémen, “o Congresso exige ao Presidente que retire as forças armadas americanas das hostilidades que atingem a República do Iémen”, à exceção das operações que visem a Al-Qaida e associados, 30 dias após a adoção do texto.

O texto prevê que o Presidente possa solicitar um adiamento desta data, que o Congresso deverá aprovar.

Em março, a Casa Branca manifestou “firme oposição” a esta resolução “imperfeita”, dando a entender que seria bloqueada por Trump.

Desde 2015 que o Pentágono fornece um “apoio não-combatente” à coligação conduzida pela Arábia Saudita no Iémen, incluindo a entrega de armamento e fornecimento de informações. No final de 2018 os EUA suspenderam as suas operações de abastecimento em voo da aviação saudita.

A rara união entre deputados Democratas e Republicanos nesta votação pode ser explicada em grande medida pela profunda cólera no Congresso pelo assassínio em Istambul do jornalista saudita Jamal Khashoggi em outubro de 2018, por um comando proveniente de Riade.

O Iémen regista um devastador conflito após a intervenção de uma coligação árabe sob comando saudita em março de 2015, em apoio às forças pró-governamentais contra os rebeldes Huthis.

As forças insurgentes são apoiadas pelo Irão, o grande rival xiita da Arábia Saudita sunita no Médio Oriente.

Segundo a ONU, este conflito provocou a maior catástrofe humanitária no mundo, e com um balanço de mais de 10.000 mortos. Diversas organizações não-governamentais consideram que o balanço das vítimas é muito superior.

Todos queremos saber mais. E escolher bem.

A vida é feita de escolhas. E as escolhas devem ser informadas.

Há uns meses o Observador fez uma escolha: uma parte dos artigos que publicamos deixariam de ser de acesso totalmente livre. Esses artigos Premium, por regra aqueles onde fazemos um maior investimento editorial e que mais diferenciam o nosso projecto, constituem a base do nosso programa de assinaturas.

Este programa Premium não tolheu o nosso crescimento – arrancámos mesmo 2019 com os melhores resultados de sempre.

Este programa tornou-nos mesmo mais exigentes com o jornalismo que fazemos – um jornalismo que informa e explica, um jornalismo que investiga e incomoda, um jornalismo independente e sem medo. E diferente.

Este programa está a permitir que tenhamos uma nova fonte de receitas e não dependamos apenas da publicidade – porque não há futuro para a imprensa livre se isso não acontecer.

O Observador existe para servir os seus leitores e permitir que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia. Por isso o Observador também é dos seus leitores e necessita deles, tem de contar com eles. Como subscritores do programa de assinaturas Observador Premium.

Se gosta do Observador, esteja com o Observador. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)