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Táxis

A app e farda com que os taxistas querem fazer frente à Uber chegam às ruas

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A ANTRAL uma das maiores associações de taxistas do país, lançou a IzzyMove, uma app para concorrer com a MyTaxi, Uber e semelhantes, e uma "proposta de vestuário" para os motoristas.

A proposta de vestuário apresentada pela ANTRAL

MANUEL PESTANA MACHADO/OBSERVADOR

A Izzy Move, a aplicação de mobilidade criada pela Associação Nacional de Transporte Rodoviário em Automóveis Ligeiros (ANTRAL) para concorrer diretamente contra a MyTaxi e apps semelhantes como a Uber, Bolt ou Kapten, é lançada oficialmente em 26 concelhos esta terça-feira. Além disso, a associação apresentou também uma “linha de vestuário” que “muito brevemente” vai ser possível ver nas ruas.

Num evento que contou com a presença do Secretário de Estado Adjunto e da Mobilidade José Mendes, o responsável da ANTRAL, Florêncio Almeida, afirmou que não quer olhar para esta roupa como uma farda, mas como uma “proposta de vestuário”. Apesar disso, o presidente da ANTRAL defendeu que, como no passado, a farda devia ser obrigatória para o setor do táxi, destacando-o assim mais da concorrência.

Esta novidade já tinha sido antecipada por Florêncio Almeida na sexta-feira e qualquer taxista vai poder adquiri-la por um preço simbólico. Este fardamento facultativo foi concebido pelo Grupo Latino. José Mendes, Secretário de Estado Adjunto e da Mobilidade, defendeu a iniciativa: “Pessoalmente, acho que a existência de um fardamento é algo que qualifica e distingue. Portanto, com certeza, a lei não o obriga, mas acho que é mais um sinal que o setor quer dar que, além de distintivo, temos de incentivar”.

Para aderir ao serviço de mobilidade da IzzyMove, os motoristas de táxi vão continuar a estar condicionados aos preçários atuais de bandeirada e serviços adicionais. Por cada serviço, o taxista tem de pagar “40 cêntimos”, independentemente do valor final da viagem. Este valor, que não será cobrado ao cliente, servirá para a manutenção da app, afirmou Florêncio Almeida.

À semelhança do que já acontece na MyTaxi, independentemente do modo de pagamento escolhido, no final da viagem o taxista tem de inserir na app o valor que está registado no taxímetro. Depois, o cliente confirma e paga. No futuro, a Izzy Move conta tornar mais eficiente esta forma de pagamento, mas para isso é necessário alterações aos mecanismos atuais nos táxis.

A Izzy Move refere a “tecnologia e qualidade de serviço”. Além disso, “tem um suporte de call center 24 horas por dias todos os dias por ano”, com o apoio das Rádio Táxi. Esta aplicação vai funcionar também com os táxis com letra A e T, um “serviço premium” para táxis de outras gamas.

A aplicação já tem funcionado desde há um ano em cidades como Chaves, Évora ou Montemor-o-Novo. Agora, chega oficialmente aos “centros urbanos”, com a entrada em Lisboa.

A aplicação está disponível para os sistemas operativos móveis iOS, da Apple, e Android, da Google

Ao todo, foram investidos cerca de 400 mil euros na Izzi Move. Este capital foi investido pela associação e em parceira com “dez rádio táxis” que querem fazer parte deste projeto. Os motoristas de táxi que já trabalhem com a MyTaxi vão poder trabalhar em simultâneo com a Izzy Move, garantiu também o responsável da associação.

O design da aplicação é semelhante ao da MyTaxi e Uber. A app não dá uma estimativa exacta do preço final

À semelhança da MyTaxi, é possível chamar um táxi com esta app e pagar diretamente na aplicação com cartão de crédito. Além disso, é possível também pagar em dinheiro no carro ou pedir em antecipação um taxista que aceite cartões multibanco para fazer o pagamento do serviço. Este serviço apresenta também uma estimativa de preço final da viagem “de forma clara” antes de se iniciar o serviço, garante a Izzy Move.

Para nós é fundamental a avaliação quer da viatura, quer do motorista”, explica a ANTRAL ao apresentar as funcionalidades desta nova app.

“Para a ANTRAL, o machado está enterrado”, diz Florêncio de Almeida ao Secretário de Estado Adjunto e da Mobilidade

Contingentes “supra-municipais”, o fim dos suplementos e um “dia histórico para o setor e para o táxi”. No evento oficial de apresentação da Izzy Move, não faltaram vontades para modernizar os táxis nas cidades “e interior” numa época de TVDEs (transporte individual e remunerado de passageiros em veículos descaracterizados a partir de plataforma eletrónica) e Ubers.

Não esquecer que muitas pessoas utilizam o telefone para pedir táxis”, defendeu Florêncio Almeida.

Neste momento os preços do táxi não vão ser alterados, afirmou o responsável da ANTRAL, mas há vontade para o fazer. “O objetivo é acabar com o suplemento de chamada” e “o setor tem de evoluir para outras situações”. Contudo, as especificidades do setor do táxi, tornam difícil o acordo geral no setor, desabafou. Uma mensagem continua igual quanto a plataformas de TVDE como a Uber: “Temos uma concorrência que tem armas completamente diferentes que a do setor do taxi. Não pode haver duas velocidades no transporte de passageiros”

Pela voz de José Mendes, Secretário de Estado Adjunto e da Mobilidade, houve a promessa do governo de que vai continuar a existir um incentivo à modernização dos táxis. Para já, foram já adjudicados 100 mil euros para a IzzyMove, mas Florêncio Almeida afirma que é preciso mais para a “divulgação” do serviço.

O secretário de Estado, falando numa “mobilidade quo vadis” (do latim “para onde vais?” e da história bíblica entre Jesus Cristo e São Pedro, que contou no evento) afirmou que é “é preciso a modernização” para o setor do táxi tendo de “haver uma relação institucional entre uma das maiores associações de táxi e o governo”. Numa possível futura legislatura, o responsável do governo afirmou que é preciso começar a criar em contingentes de táxis “supramunicipais” e no início da “eletrificação” dos carros.

Há características do setor do táxi que o tornam absolutamente distintivo. Todos conhecemos o táxi. Sabemos é o único meio de transporte que se pode chamar levantado o braço”, disse o Secretário de Estado adjunto José Mendes.

O atraso no lançamento oficial desta plataforma teve como justificação a dificuldade na adesão de centrais de rádio. “A rádio táxi de Lisboa demorou 7 meses porque a taxi digital precisou de tempo para mudar o software”, explicou Florêncio Almeida.

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