Pode ser superstição, regra ou simplesmente um hábito que foi passando ao longo dos anos mas quando os finalistas de qualquer competição de qualquer desporto passam pelo troféu antes de iniciarem o encontro decisivo, ninguém arrisca tocar no “prémio”. Alguns ficam mesmo a olhar uns para os outros à espera que alguém que não tenha nada a ver com o compromisso agarre na taça e a coloque em determinado sítio. Esta tarde, Pablo Cuevas arriscou a tradição e fez o contrário quando entrou no court. Afinal, esta tinha sido aquela semana em que não há nada que lhe corresse bem no Estoril Open. Até este domingo.

Aos 33 anos, o uruguaio que foi o 19.º melhor do mundo e que ganhou um Grand Slam em pares (Roland Garros, 2008), chegou à possibilidade de poder ganhar o sétimo torneio da carreira em singulares quando já estava com as malas feitas, depois de perder com Salvatore Caruso na última ronda do qualifying. Aproveitando a desistência de Filip Krajonovic, o sul-americano acedeu ao quadro principal e começou a passar eliminatórias atrás de eliminatórias: corrigiu o desaire com Caruso na primeira ronda com um duplo 6-2, ganhou ao também italiano Filippo Baldi em dois sets (6-2 e 7-5) e causou surpresa ao afastar o americano Frances Tiafoe, finalista vencido em 2018, nos quartos (6-0, 6-7 e 6-2). Por fim, o triunfo com o espanhol Alejandro Davidovich Fokina este sábado (3-6, 6-2 e 6-2) assegurou a décima final do circuito ATP.

Cuevas, atual 67.º do ranking mundial, terá sempre uma ligação “nacional” à carreira, por ter ganho o seu primeiro ATP em julho de 2014, no Open da Suécia, após bater o português João Sousa na final. No entanto, também Stefanos Tsitsipas, número 10 do circuito que no ano passado chegou às meias-finais do Estoril Open onde foi eliminado pelo vimaranense, começa a ter no torneio português uma espécie de zona de conforto, alcançando o seu terceiro triunfo depois do Open de Estocolmo no ano passado (com Ernest Gulbis, em duplo 6-4) e do recente Open de Marselha (com Mikhail Kukushkin, 7-5 e 7-6), o primeiro em terra batido. Logo ele que, em 2016, ganhou o seu primeiro Future em Oliveira de Azeméis.

“Joguei um excelente ténis esta semana e isso coloca um sorriso extra no meu rosto. Senti-me fantástico em Portugal, onde conheci algumas pessoas e descobri a cultura única do país e a comida fantástica. É um facto que fiz o meu melhor corte de cabelo em Portugal e isso deixa tudo ainda melhor”, escreveu na altura o grego no Facebook. “O meu irmão Pavlos está em Portugal pela primeira vez e está encantado. Adoro tudo: a comida, as pessoas, o país. Este país tem mesmo algo de especial”, assumiu agora o helénico, na antecâmara de uma final do Estoril Open onde jogou o seu melhor ténis e não deu hipóteses numa semana onde conviveu também com o benfiquista Samaris e teve a possibilidade de conhecer Fernando Santos, selecionador nacional de futebol que trabalho durante muito tempo na Grécia (e que ainda se lembra da língua).

Em relação ao jogo, e com uma entrada mais forte do que em alguns encontros ao longo da semana, Tsitsipas conseguiu fazer o break a Cuevas logo no quarto jogo e foi mantendo o seu serviço até fechar o set inicial por 6-3. No parcial seguinte, que teve provavelmente uma das melhores bolas do torneio quando o uruguaio ameaçou fazer um smash e fez um amortie com a bola jogada entre as pernas, o grego manteve-se muito forte nos seus jogos de serviço, aproveitando o break logo no primeiro jogo do segundo set para ir comandando até Cuevas arrancar um verdadeiro golpe de teatro, ganhando no jogo de serviço do helénico e tendo mesmo set points desperdiçado num parcial que fechou em 7-6, com 7-4 no tiebreak com um ponto de penalidade pelo meio aplicado pelo árbitro brasileiro Carlos Bernardes.