Esforços diplomáticos para resolver a crise na Venezuela repetiram-se esta quinta-feira em vários palcos, com a Noruega a receber em Oslo delegações de ambos os lados e os chefes das diplomacias do Canadá e de Cuba a reunirem-se em Havana.

A ministra dos Negócios Estrangeiros do Canadá, Christya Freeland, reuniu-se esta quinta-feira em Havana com o seu homólogo cubano, Bruno Rodriguez, para analisarem a situação na Venezuela, segundo o governo canadiano. “É de importância fundamental que os nossos dois países se reúnam para discutirem a crise económica, política e humanitária na Venezuela”, afirmou o Ministério dos Negócios Estrangeiros canadiano, em comunicado, justificando o encontro em Havana.

Por seu lado, o primeiro vice-ministro das Relações Exteriores de Cuba, Marcelino Medina González, está na Noruega desde quarta-feira, onde o tema da Venezuela também está na agenda de trabalhos, no momento em que Oslo procura servir de intermediário entre a fação do Presidente eleito, Nicolas Maduro, e a do autoproclamado Presidente interino, Juan Guaidó. As delegações dos dois lados venezuelanos reuniram separadamente com responsáveis do governo norueguês, disseram várias fontes oficiais ligadas ao processo.

Segundo as mesmas fontes, a delegação representando Nicolás Maduro incluiu o ministro da Informação da Venezuela, Jorge Rodriguez, e do lado de Juan Guaidó a delegação contou com o deputado oposicionista Stalin Gonzalez. Guaidó, presidente do Parlamento e que tem publicamente liderado o movimento de oposição ao chefe de Estado da Venezuela, confirmou que decorrem “não negociações” mas “esforços de mediação” por parte da Noruega entre as duas partes em conflito.

O reconhecimento, por parte da comunidade internacional, ao longo das últimas semanas, de que a situação na Venezuela não tem evoluído nem nenhuma das partes tem prevalecido, conduziu a estes esforços diplomáticos em vários tabuleiros da geopolítica mundial.

A viagem dos emissários venezuelanos a Oslo é mais um sinal de tentativa de mediação, desta vez por parte da Noruega, visando reduzir as tensões que explodiram em violência nas ruas quando a oposição convocou em vão uma revolta militar em 30 de abril.

A iniciativa acontece ainda no momento em que o Grupo de Contacto Internacional para a Venezuela, que inclui Portugal, repete esforços diplomáticos, enviando a Caracas uma missão política.

Portugal está representado pelo secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Luís Carneiro. Esta missão política estará na capital da Venezuela esta quinta e sexta-feira, segundo a informação inicial.