“A postura do Benfica e da SAD demonstra tudo. Somos um clube e uma SAD bem organizados. Temos estratégia, planeamento e todo o nosso trabalho não é para prejudicar futebol. Não vejo ninguém do Benfica a entrar em polémicas. O tom tem que abrandar – e não compete só aos clubes mas também à Liga, à Federação e ao governo imporem regras quanto ao jogo”, frisou Luís Filipe Vieira esta sexta-feira no Museu Cosme Damião, que recebeu o título de campeão de futebol masculino e a Taça de Portugal de futebol feminino, naquele que foi o primeiro troféu de sempre logo no seu ano de estreia.

Enquanto o presidente encarnado falava na cerimónia, o Benfica, através das suas plataformas, lançava uma espécie de vídeo oficial da conquista do 37.º Campeonato com uma única frase a acompanhar: “O que nos distingue”. No filme, com pouco mais de dois minutos, os jogadores do plantel comandado por Bruno Lage vão dizendo que não ganharam contra FC Porto, Sporting ou Sp. Braga (entre outros), não ganharam contra árbitros nem ganharam contra comentadores mas sim “pelo Benfica”, numa mensagem que tem vindo a ser repetida desde sábado, quando os encarnados asseguraram o primeiro lugar após derrotarem o Santa Clara. Essa tem sido uma das mensagens do clube, a par de uma palavra repetida por Vieira: hegemonia.

“[Esta entrega] Tem um enorme simbolismo pelo significado que tem para o Benfica e porque também marca a inauguração da exposição temporária do Museu Talismã Benfica. O 37 colocou-nos como a quarta equipa com mais títulos de campeão nacional na Europa e consolidou o ciclo de hegemonia no futebol português, nomeadamente nos últimos cinco anos. No mesmo período, nas quatro principais provas, o Benfica conquistou 13 títulos, contra apenas sete dos outros rivais juntos – um deles pode acrescentar outro amanhã. São números que mostram de forma clara e inequívoca o trabalho feito por parte de uma vasta equipa de profissionalismo, que merecem todo o reconhecimento”, destacou o número 1 das águias.

Ainda no tema futebol, Luís Filipe Vieira voltou a recordar a decisão de prescindir de Rui Vitória no início do ano civil e apostar em Bruno Lage, ao mesmo tempo que deu a entender que João Félix continuará na Luz e passou ao lado da possibilidade Raúl de Tomás, avançado do Real Madrid emprestado esta época ao Rayo Vallecano (e que esteve muito perto de reforçar o Sporting no último verão, também por cedência temporária), como eventual reforço para o ataque dos encarnados.

“Nunca me arrependo das decisões que tomo. Quem decide tem de decidir e foi isso que eu fiz. Naquele momento tinha de decidir e na cabeça estava o Bruno Lage. Ele sabe bem o que falámos antes. Não se faz um contrato de cinco anos com um treinador só para treinar juniores ou juvenis, faz-se com mais profundidade. Não vou dizer que estivéssemos à espera que fosse nesta altura mas teve de ser assim. Isto apesar de guardar memória de Rui Vitória, porque fez um belíssimo trabalho e agora acabou também de ser campeão. Estamos bem como estamos e queremos mais vitórias”, referiu sobre a mudança técnica.

“Sobre o João Félix, há coisas que o Benfica não pode fazer. Se alguém pagar a cláusula, se alguém depositar o cheque nesse valor, não podemos fazer nada. Não iremos mexer muito no plantel e queremos ficar com todos os que cá estão, inclusive o João Félix. Há a determinação de fazer tudo o que seja possível para ficarem todos no Benfica. Todos estão muito felizes aqui. Já ouvi que há pressão, seja de agentes ou família. Não há nada disso: as conversações que temos tido apontam para que o João Félix fique no Benfica”, comentou. “Raúl de Tomás? O que posso dizer é que estão definidos alvos de jogadores que poderão ter interesse. Não sei se é esse, não me recordo desse nome”, acrescentou sobre o espanhol.