Alexis Tsipras e o Syriza sofreram derrota pesada e vão antecipar as eleições legislativas, o que pode levar à mudança de governo. Com o Nova Democracia, de centro-direita, na liderança das sondagens, a perspetiva de mudança de governo está a levar a bolsa a subir mais de 6% e os juros da dívida caírem para mínimos pouco acima de 3% a 10 anos (o valor mais baixo desde 2000).

O Syriza não foi além dos 23,9% na votação deste domingo, segundo as estimativas mais recentes, o que ficou 10 pontos percentuais abaixo da proporção de votos obtida pelo Nova Democracia, liderado por Kyriakos Mitsotakis, um político reconhecido como sendo muito mais pró-europeu e defensor da atividade empresarial aberta do que o esquerdista Alexis Tsipras. Isto embora Tsipras tenha vindo a cumprir rigorosamente as exigências do terceiro resgate aplicado à Grécia (e até disse, numa entrevista recente ao Financial Times, que a Grécia precisava de fazer ainda mais reformas).

As eleições podem acontecer já em junho ou, então, em julho.

O governo de Alexis Tsipras tem sido elogiado, até pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), que recentemente descreveu o país como tendo “entrado num período de crescimento económico que o coloca entre os melhores desempenhos na zona euro”. Mas a degradação de popularidade associada às medidas de austeridade (tomadas por um político que foi eleito desafiando a austeridade) prejudicou a opinião do eleitorado acerca de Tsipras — e a gota de água terá sido a cedência na polémica relacionada com o nome da Macedónia.

Nesta fase, e reagindo à perda de popularidade, o Syriza tinha vindo a “distribuir algumas prendas [ao eleitorado], antes das eleições, e os investidores estavam a começar a ficar preocupados que o governo não conseguisse atingir os saldos orçamentais positivos de que necessitam”, comentou o analista Rene Albrecht, do DZ Bank, citado pela Reuters. Entre essas “prendas” estavam um aumento dos subsídios para os pensionistas e uma descida dos impostos sobre as vendas.

Mas não valeu de muito, a Alexis Tsipras. “Agora os mercados estão a fazer figas pela substituição [do primeiro-ministro] por alguém que seja mais disciplinado no que diz respeito à despesa”, acrescenta o mesmo analista.