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50 anos de Steffi Graf, a bailarina dos courts, em cinco pontos chave: da raquete de madeira ao Golden Slam

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Começou com uma raquete de madeira na sala de estar e acabou depois de vencer 22 Grand Slams. Os 50 anos de vida de Steffi Graff, a bailarina do ténis, entre os problemas com o pai e o ano perfeito.

A tenista alemã tinha apenas 16 anos quando chegou à posição 6 do ranking WTA

Getty Images

São contas fáceis de fazer. Ao longo de vários períodos, Steffi Graf esteve 377 semanas no número 1 do ranking WTA, um recorde absoluto. Steffi Graf conquistou, ao longo da carreira, 22 Grand Slams. Em 1988, Steffi Graf ganhou Open da Austrália, Wimbledon, Roland Garros, US Open e a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Seul. Em 1988, Steffi Graf tinha 19 anos. Esta sexta-feira, completa 50. E continua a ser dona de uma das eras douradas do ténis feminino.

Numa altura em que o desporto assiste a carreiras de sucesso inequívoco, como a de Serena Williams, e à emergência de jovens que já estão bem para lá do estatuto de promessa, como Naomi Osaka, é preciso recordar que foi Steffi Graf a trilhar esse caminho que agora percorrido por dezenas de jovens tenistas. A alemã foi a mais nova de sempre a tornar-se milionária no mundo do ténis e foi uma das primeiras grandes referências a nível feminino daquilo que é ser atleta de alta competição. Depois de dois períodos dourados, um na segunda metade dos anos 80 e outro no início dos anos 90, Graf acabou por colocar um ponto final da carreira depois de anos de desgaste psicológico e físico.

Desde os treinos na sala de estar com uma raquete de madeira, com apenas três anos, à condenação do pai por fuga ao fisco, Steffi Graf viveu uma vida que teve sempre o pai enquanto linha paralela e que culminou num casamento bem sucedido com Andre Agassi. Em cinco pontos, a propósito dos 50 anos da alemã, a vida daquela que é uma das melhores tenistas de sempre.

Jun-Jul 1989: Steffi Graf of West Germany serves during the Lawn Tennis Championships at Wimbledon in London. Mandatory Credit: Simon Bruty/Allsport

Os treinos com a raquete de madeira que tinham gelado e morangos como prémio

Steffi nasceu Stefanie mas depressa se percebeu que só o diminutivo viria a fazer capas de jornais um pouco por todo o mundo. Foi a família, a mãe dona de casa, o pai vendedor de carro e o irmão Michael, que implementou aquele que se tornou o maior nome de uma era no ténis internacional. A tenista nasceu em Mannheim, na antiga República Federal Alemã, mas mudou-se para Brühl quando Steffi tinha apenas nove anos. Antes disso, aos três, já o pai da alemã lhe tinha mostrado pela primeira vez o desporto que se jogava com uma raquete e que tinha como objetivo vencer quem estava do outro lado da rede: Peter, um treinador de ténis amador, ensinou a filha mais velha a balançar a raquete na sala de estar, com recurso a um velho exemplar de madeira, quando esta tinha apenas três anos. Se batesse 25 vezes seguidas na bola sem a deixar cair, ganhava gelado ou morangos.

A precocidade dos eventos na vida de Steffi Graf viria a tornar-se uma constante. Steffi pegou na primeira raquete aos três anos, foi com o pai para os courts aos quatro e participou no primeiro torneio aos cinco. A tudo isto, como não poderia deixar de ser, junta-se uma valente dose de talento e uma vontade inata que jogar a modalidade que a acompanhava praticamente desde que nasceu. Steffi dificilmente poderia ser outra coisa que não tenista — desde a raquete de madeira na sala de estar e aos torneios juvenis que começou a conquistar com regularidade, culminando na vitória nos Campeonatos da Europa Sub-12 e Sub-18.

A evolução deu-se com relativa naturalidade e sem grandes solavancos. Steffi Graf era naturalmente melhor do que as outras raparigas da sua idade, era naturalmente melhor do que as outras raparigas com mais um ano ou dois e era naturalmente melhor do que quase todas as outras haviam sido com a sua idade. O primeiro torneio profissional surgiu logo em 1982, quando tinha apenas 13 anos, e não deixou grandes memórias, já que a (pouca) sorte ditou que a alemã encontrasse Tracy Austin, antiga número 1 do mundo e vencedora do US Open em duas ocasiões, logo na primeira ronda. A derrota em dois sets é hoje descrita por Graf como um momento crucial de evolução e crescimento mental — a ideia de invencibilidade, até aí quase impossível de afastar devido à inequívoca superioridade nos eventos juvenis, desmoronou-se. 

Com Martina Navratilova, com quem viveu uma rivalidade saudável nos primeiros anos da carreira

Os três anos seguintes, os primeiros da carreira a nível profissional, foram de melhoria, consolidação e escalada no ranking WTA. A alemã não conquistou qualquer título de 1983 a 1986 mas subiu da posição 124 para a 98, da 98 para a 22 e da 22 para um extraordinário sexto lugar da classificação mundial, com apenas 16 anos. Foi nesta altura que Graf assumiu o papel de principal herdeira e sucessora da hegemonia de Chris Evert e Martina Navratilova que então comandava o ténis feminino à volta do mundo: durante estes três anos sem títulos a alemão perdeu seis vezes com Evert e três com Navratilova mas chegou de forma constante a finais, meias-finais e quartos de final.

Nesta fase embrionária da carreira, a vida de Steffi Graf era totalmente controlada pelo pai, Peter, e pelo então treinador, o checo Pavel Složil. O pai da alemã limitava os torneios em que a filha participava, para diminuir os riscos de lesão e cansaço acumulado, mas encarregava-se pessoalmente de recusar praticamente todos os convites para eventos sociais que Graf recebia, de forma a eliminar o peso que a vida pessoal pudesse ter na evolução desportiva da tenista. Nas viagens para torneios no estrangeiro, era habitual que a alemã fosse diretamente dos aeroportos para campos de treino e da competição novamente para o aeroporto, o que afastou Graf — já naturalmente tímida e introvertida — das colegas de profissão e das outras tenistas do circuito. Este foco muito reservado e específico teve consequências negativas, principalmente no que toca ao desenvolvimento pessoal da tenista, mas teve resultados práticos muito céleres.

Em abril de 1986, Steffi Graf conquistou o primeiro título WTA e logo ao bater Chris Evert na final da Family Circle Cup, na Carolina do Sul. Venceu os três torneios seguintes, em Amelia Island, Charleston e Berlim, mas falhou Wimbledon por doença e viu um acidente provocar-lhe uma fratura grave num dedo do pé. Ainda assim, a caixa de Pandora estava aberta: Steffi Graf tinha confirmado as expectativas e era, à entrada para 1987, a tenista de quem mais se esperava.

O ano de revelação e o Golden Slam de 1988

Em 1987, Steffi Graf tinha 18 anos. 18 anos vividos com total dedicação ao ténis, sem espaço para grandes distrações, com viagens sucessivas para pontos opostos do globo e com um sonho por cumprir. Um sonho que era não só dela como do pai. Nesse ano, depois dos quatro títulos WTA conquistados em 1986, o objetivo era chegar o mais longe possível nos quatro Grand Slams e almejar uma surpreendente vitória. Os números pareciam estar do lado da jovem alemã: na antecâmara de Roland Garros, Graf tinha vencido seis torneios do circuito, incluindo Miami, em que derrotou Navratilova na meia-final e Evert na final e só tinha perdeu 20 jogos em todos os sets das sete rondas do evento.

Na final do Grand Slam francês, já depois de bater a argentina Gabriela Sabatini na meia-final, Steffi Graf tinha pela frente uma Martina Navratilova já com 31 anos e que era então a líder do ranking internacional. Em três sets (6-4, 4-6 e 8-6), a alemã derrotou a veterana checa, conquistou o primeiro Grand Slam da carreira e abriu uma nova janela na história do ténis. No final de 1987, Graf registava um histórico de vitórias e derrotas de 75-2 — os dois jogos perdidos foram ambos com Navratilova, um deles na final de Wimbledon –, o que significava uma percentagem vitoriosa de 97,4%, e chegou mesmo à liderança do ranking WTA. Em agosto, ao bater Chris Evert na final do Virginia Slims de Los Angeles, a alemã superou Navratilova e tornou-se a melhor tenista da altura, estatuto que iria manter nas 186 semanas seguintes (um recorde só superado em 2016 por Serena Williams).

No US Open de 1988, ano em que conquistou os quatro Grand Slams e a medalha de ouro olímpica em Seul

Steffi Graf era a primeira tenista que não Evert ou Navratilova a liderar o ranking desde 1980 e foi nesse pedestal que chegou a 1988, com apenas 19 anos mas enquanto principal candidata a todos os títulos. O ano começou desde logo com uma estreia a ganhar no Open da Austrália, o primeiro Grand Slam do ano, onde não perdeu um único set e só cedeu 29 jogos. Em Roland Garros, já enquanto defensora do título, Graf atropelou a bielorussa Natasha Zvereva na final e revalidou o estatuto de campeã do Open francês em apenas 34 minutos e com dois 6-0, naquela que é ainda a final de um Grand Slam mais curta da história. 

Seguiu-se Wimbledon, onde Navratilova era hexacampeã. A checa chegou à final do torneio inglês pelo sétimo ano consecutivo mas perdeu o título para Graf, que vingou a final do ano anterior e carimbou o terceiro Grand Slam da temporada em quatro possíveis. O quarto e último, o US Open, colocou a alemã frente a Gabriela Sabatini na final — a argentina cedeu dois dos três sets e Graf tornou-se a primeira tenista, homem ou mulher, da história a vencer todos os Grand Slams em relva, terra batida e piso rápido. O ano perfeito só terminou mesmo com a conquista da medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Seul, novamente perante Sabatini, completando aquilo a que a comunicação social se apressou a chamar Golden Slam.

Até aos dias de hoje, Steffi Graf é a única tenista, homem ou mulher, a ter conquistado Open da Austrália, Roland Garros, Wimbledon,US Open e a medalha de ouro olímpica no mesmo ano. No final de 1988, o ano perfeito, a alemã foi considerada a Personalidade do Ano pela BBC e era indiscutivelmente a melhor tenista do circuito. Com 19 anos, Graf tinha o mundo de portas escancaradas à sua espera.

A rivalidade e o ataque a Monica Seles “em nome” de Graf

1989 trouxe a revalidação das vitórias na Austrália, em Wimbledon e nos Estados Unidos. Só Roland Garros escapou a Steffi Graf, num torneio em que a alemã foi condicionada por um intoxicação alimentar na meia-final, onde teve de suar bastante para bater Monica Seles, e por dores menstruais na final, onde deixou escapar o título para a espanhola Arantxa Sánchez Vicario. A transição para a nova década foi difícil para Graf, já que em 1990 só conseguiu engrossar o palmarés de Grand Slams com o Open da Austrália logo no início da temporada. As dificuldades dentro de court, aliadas ao início de uma novela judicial dentro de portas — o pai, Peter, começava a ver-se envolvido num escândalo de fuga ao fisco –, tornaram a manutenção do número 1 do ranking uma enorme conquista no final de 1990, numa altura em que Monica Seles começava a afirmar-se como o futuro do ténis feminino.

A tenista nascida em território sérvio quando o país ainda estava integrado na antiga Jugoslávia ganhou o Open da Austrália, Roland Garros e o US Open em 1991 e colocou um ponto final às históricas 186 semanas de Steffi Graf no topo do ranking. A vitória em Wimbledon, desta vez à custa de Sabatini, não salvou uma temporada da alemã que soube a pouco e que culminou com o despedimento de Pavel Složil, o treinador de longa data. Entre 1991 e 1993, Seles ganhou sete de oito Grand Slams possíveis e destronou Graf como o nome maior da modalidade — até que o impensável aconteceu.

Monica Seles foi esfaqueada nas costas, durante uma partida, por um adepto que garantia ter agido para que Steffi Graf voltasse a liderar o ranking WTA

Depois de bater Martina Navratilova na final do torneio Virginia Slims, em Chicago, Monica Seles viajou para Hamburgo, na Alemanha, para participar na Citizen Cup. Durante o encontro dos quartos de final, contra a búlgara Magdalena Maleeva, a tenista foi esfaqueada nas costas enquanto estava sentada entre jogos. O autor do ataque era Günter Parche, um fã obcecado por Steffi Graf que emergiu entre a multidão e esfaqueou Monica Seles na zona do ombro. O encontro foi interrompido de imediato, a tenista foi transportada para o hospital e recuperou fisicamente em poucas semanas. Mas o ataque provocou muito mais do que lesões físicas a Monica Seles. A tenista, então com 20 anos, afundou-se numa depressão profunda, ganhou 30 quilos e garantiu que não voltaria à Alemanha por não confiar no sistema legal do país — após alguma especulação que indicava que o ataque poderia ter motivação política, já que Seles havia recebido ameaças de morte relacionadas com a Guerra da Jugoslávia, soube-se mais tarde que Günter Parche tinha antecedentes de doença mental. O alemão nunca cumpriu pena de prisão, passou dois anos em tratamento psicológico e daí para cá, de acordo com a Tennis, viveu sempre internado em lares e casas de acolhimento.

Seles não voltou a competir até 1995. Mas a mesma depressão que afetou a jugoslava também condicionou Steffi Graf, que foi acusada de ser responsável pelo ataque e recebeu dezenas de ameaças de morte. Nesta altura, mais do que uma profissão e uma obrigação, o ténis tornou-se novamente um escape para a alemã, que voltou a jogar de forma descomplicada e quase prazerosa, tal como fazia no início da carreira e tal como fazia com a raquete de madeira na sala de estar. O sorriso depois das pancadas fortes — das mais poderosas que o ténis feminino já viu — voltou a aparecer e Steffi Graf voltou a merecer a comparação que atualmente só encontra paralelo em Roger Federer: do suíço, destacam a elegância dentro de court, comparando-a a poesia; da alemã, sublinhavam a classe e a leveza, que se assemelhavam às do ballet.

Durante o período de ausência de Monica Seles, Graf ganhou 65 das 67 partidas que disputou e conquistou um Open da Austrália (1994), dois Roland Garros (1994 e 1995), dois Wimbledon (1993 e 1995) e dois US Open (1993 e 1995). Este segundo período de hegemonia, aliado ao regresso ao topo do ranking WTA (ao lado de Seles, já que as tenistas acordaram em dar o lugar à jugoslava quando esta voltasse, em ex aequo com quem o tivesse na altura), deu lugar a uma fase de pressão social, problemas pessoais relacionados com o pai e sucessivas lesões que começaram a afastar Steffi Graf do sucesso. À medida que o final do século se aproximava, também o fim daquela que foi uma das eras de maior sucesso do ténis parecia estar a chegar ao fim.

A condenação do pai, entre fraude fiscal, álcool e medicação, e o adeus definitivo

Puxando um pouco a fita atrás, a primeira ideia de que Peter Graf poderia estar envolvido num esquema de fuga ao fisco surgiu logo em 1990. Nesse ano, durante o Open de Berlim, o jornal alemão Bild publicou uma história onde o pai da tenista era o protagonista infame, rodeado de álcool, abuso de medicação e esgotamentos que se materializavam em más decisões financeiras e em manipulação por parte de conselheiros um tanto ou quanto oportunistas. Semanas depois da publicação da reportagem, Steffi Graf foi bombardeada com perguntas na conferência de imprensa de antevisão de Wimbledon e acabou por não conseguir conter as lágrimas, o que levou a organização do torneio inglês a ameaçar cancelar todas as declarações dos tenistas caso o assunto voltasse a surgir.

Salto temporal para 1995 e a tenista, então com 26 anos, foi acusada de fuga ao fisco nos primeiros anos da carreira. Graf apressou-se a afirmar que o pai era o seu consultor financeiro na altura e que não tinha qualquer controlo sobre os milhões que ganhava com o ténis, facto que foi confirmado por Peter Graf e que afastou a tenista do caso. Em agosto desse ano, Peter foi detido e esteve 15 meses na prisão. Libertado sob uma fiança de três milhões de dólares, acabou por ser condenado a três anos e nove meses de prisão efetiva (dos quais, na verdade, só cumpriu outros 15 meses) em 1997, já que o tribunal de Mannheim decidiu que uma multa milionária só “iria castigar a filha”, já que seria Steffi a pagar. Nesta altura, a alemã perdeu a liderança do ranking para Martina Hingis e não venceu qualquer Grand Slam pela primeira vez em 10 anos.

Com o pai, Peter, que em 1997 foi preso por fraude fiscal. O pai da tenista morreu em 2013, aos 75 anos, vítima de cancro no pâncreas

Depois de falhar torneios para ser operada a um pé e de viver castigada por dores quase crónicas nas costas e nos joelhos, Graf acabou por conseguir a última grande alegria da carreira em 1999, há 20 anos, quando chegou à primeira final de um Grand Slam em mais de três anos e bateu Martina Hingis na derradeira partida de Roland Garros. Tornou-se a única tenista da história a ganhar às três primeiras classificadas do ranking num único torneio, já que além de Hingis derrotou Lindsey Davenport nos quartos de final e Monica Seles nas meias-finais. Na terra batida francesa, depois de levantar o troféu, anunciou que era a última vez que participava em Roland Garros e alimentou os rumores de reforma que já enchiam as capas dos jornais.

Em agosto de 1999, aos 30 anos e enquanto número 3 do mundo, Steffi Graf anunciou que iria retirar-se do desporto profissional. “Fiz tudo aquilo que queria fazer no ténis. Sinto que não deixei nada por alcançar. Já não me estou a divertir. Pela primeira vez na minha carreira, não me apetece ir para os torneios. A minha motivação já não é a mesma”, justificou a alemã, que terminou a carreira como a única tenista, homem ou mulher, a ter conquistado todos os Grand Slams pelo menos quatro vezes cada um (sete Wimbledon, seis Roland Garros, cinco US Open e quatro Open da Austrália).

O encontro com Agassi, o único que compreendia algo quase incompreensível

Em 1997, no mesmo ano em que viu o pai ser condenado por fuga ao fisco, afastou-se definitivamente da religião e da Igreja Católica por “razões pessoais” que atribuiu a “desilusões”. Dois anos depois e já após o último Roland Garros, confirmou que tinha uma relação com Andre Agassi — depois de ter namorado sete anos com o piloto Michael Bartels –, o tenista norte-americano que era na altura o número 1 do ranking ATP. Casaram em 2001, numa cerimónia ultra privada que contou apenas com a presença das mães dos noivos, e têm dois filhos. No livro de memórias “Open”, que publicou há alguns anos, Agassi explicou que a aproximação dos dois se deu pelo facto de terem backgrounds semelhantes: e de ambos serem filhos de pais controladores que durante anos tentaram orientar o rumo da vida dos filhos.

O casal em 2012, a assistir a um jogo em Wimbledon

Quando Peter Graf e Mike Agassi se conheceram, quando Steffi e Andre só namoravam há alguns meses, os dois homens envolveram numa dura discussão sobre qual era a pancada mais poderosa: a backhand a uma mão da alemã ou a backhand a duas mãos do norte-americano. Numa altura em que Graf já tinha tirado a camisola e os dois homens já mediam punhos, Andre Agassi intrometeu-se e evitou agressões físicas. Steffi e Andre, mais do que o desporto em comum, tinham os pais em comum. Pais mais apaixonados pelo sucesso dos filhos do que propriamente pelos filhos.

Os dois atletas, dois dos tenistas mais bem sucedidos no final da década de 90 e do início do século XXI, estão juntos há 20 anos. Numa entrevista recente, Agassi atribuía o sucesso da relação high profile a Steffi Graf, que continua a viver a vida — profissional e pessoal — como uma atleta de alta competição. “Um jogador de elite é, na sua essência, uma pessoa disciplinada que segue um regime de treino, uma dieta, viagens, um calendário. Isso é ser rígido. É graças a ela que estamos juntos há 20 anos. É preciso encontrar a pessoa certa”, garantiu o norte-americano, hoje com 49 anos.

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