Oito anos depois, Carlos Queiroz decidiu deixar a seleção do Irão no início deste ano, depois de um grande trabalho que colocou os asiáticos a discutirem jogos e grupos de fases finais do Mundial com formações que até essa altura eram vistas como obstáculos impossíveis. Bom exemplo disso era a Argentina de Messi, em 2014, que conseguiu apenas dobrar a boa resistência iraniana com um golo do astro do Barcelona já no período de descontos. Até hoje, essa derrota por 1-0 tinha sido o único encontro realizado entre o técnico português e a formação sul-americana mas a “vingança” estava a ser preparada e veio em dose dupla.

Queiroz, que fez apenas quatro encontros particulares pela Colômbia desde que assumiu o seu comando (vitórias com Japão, Panamá e Peru, derrota com a Coreia do Sul, entre março e junho), partia com um registo promissor nos primeiros jogos feitos em grandes competições: entre a Taça das Nações Africanas de 2002, Mundial de 2010, Mundial de 2014, Taça da Ásia de 2015, Mundial de 2018 e Taça da Ásia de 2019, no comando de África do Sul, Portugal e Irão, nunca tinha perdido e também nunca sofrera golos, num total de três vitórias e outros tantos empates. Esta noite, na estreia na Copa América frente à Argentina de Messi e companhia, a história manteve-se e o português conseguiu ganhar por 2-0, quebrando um jejum de 12 anos sem triunfos frente à albiceleste com quatro derrotas e quatro empates pelo meio.

Na Arena Fonte Nova, em Salvador, a organização da Colômbia apenas sentiu reais dificuldades durante 15/20 minutos a seguir ao intervalo, altura em que a Argentina conseguiu aproximar-se (ainda que longe) do que consegue fazer com o lote de jogadores que Scaloni tem à disposição. Antes, os cafeteros controlaram; depois, conseguiram decidir. E com a curiosidade de ambos os golos terem sido apontados pelos suplentes lançados, em especial o segundo construído pelas três apostas de um banco que mostrou ter crédito para ajudar as primeiras linhas e colocar a equipa colombiana como uma das favoritas à vitória.

Depois de um início marcado pela lesão de Muriel (num lance onde Ospina também se ficaria a queixar, neste caso com menor gravidade) que obrigou a que o avançado fosse substituído por Roger Martínez dentro do primeiro quarto de hora, a Colômbia conseguiu sempre secar as unidades mais ofensivas da Argentina (Di María, Lo Celso, Messi e Aguero) e, nos últimos 15 minutos, teve outra capacidade de sair até ao terço final de campo, deixando ameaças perigosas por Falcao e Barrios também por dominar por completo o capítulo das segundas bolas e da recuperação perante um adversário perdido na sua tática.

Ao intervalo, Lionel Scaloni deixou Di María no banco e lançou Rodrigo De Paul mas foi outra a alteração que mudou o filme do jogo: ao perceber que Leandro Paredes e Guido Rodríguez estavam demasiado baixos e deixavam um buraco enorme na zona do meio-campo, pelo menos um deles passou a subir. A Argentina melhorou: o médio ex-Zenit que reforçou o PSG em janeiro teve um remate a rasar o poste da baliza de Ospina logo no arranque (46′), obrigou o guarda-redes colombiano a uma defesa difícil para o lado com mais uma meia distância (57′) e viu ainda um cabeceamento de Otamendi ser de novo defendido com mestria pelo guardião do Arsenal antes de Messi falhar a recarga de cabeça sem ninguém na baliza (61′).

A Colômbia parecia sem capacidades para dominar o ascendente do adversário e tinha perdido capacidade de sair com perigo para colocar em sentido a defesa argentina mas não demorou a deixar a ameaça… e a concretizar: na sequência de uma saída rápida com James Rodríguez a descobrir Roger Martínez na esquerda do ataque com possibilidade de avançar 1×1 contra Saravia (futuro reforço do FC Porto para a próxima temporada, que estava condicionado com um amarelo), o avançado do América recebeu bem, fintou para dentro e rematou colocadíssimo sem hipóteses para Armani no 1-0 aos 71′. E se o golo inaugural passou pelos pés de um suplente, o segundo foi construído pelas três apostas lançadas por Queiroz na partida: mais uma arrancada de Martínez, cruzamento de Jefferson Lema e desvio na pequena área de primeira de Zapata (86′).