A coordenadora do Bloco de Esquerda (BE), Catarina Martins, deu hoje “razão” ao primeiro-ministro na ideia de que “o combate aos fogos não é suficiente para prevenir tragédias” como a de Pedrógão, defendendo a necessidade de “mudar o território”.

“Não é fácil mudar o território”, admitiu Catarina Martins, que falava aos jornalistas em Alfundão, no concelho de Ferreira do Alentejo (Beja), argumentando, que, “ainda assim, podia ter sido feito mais” em relação ao que aconteceu em Pedrógão, há precisamente dois anos.

Mas “julgo que o primeiro-ministro tem razão quando diz que o combate aos fogos não é suficiente para prevenir tragédias como aquela que o país já viveu”, disse a líder do Bloco de Esquerda, concordando com António Costa.

O chefe do Governo disse hoje, em Castanheira de Pera, Leiria, dois anos após o grande fogo de Pedrógão Grande, que as causas profundas dos incêndios “nunca serão resolvidas” a partir dos meios de combate.

Segundo Catarina Martins, “boa parte do problema está no território”, isto é, nas “manchas contínuas de eucalipto e de pinheiro” e na “cultura intensiva de eucalipto”, mas, para a mudança que é necessária no território são precisos apoios.

Além de congratular-se com o aumento das equipas de sapadores florestais no país, a coordenadora do BE defendeu que “é preciso mais velocidade nesta prevenção” e também é “preciso apoio às populações para que o território não esteja abandonado”.

“A falta de apoio em regiões de micropropriedade o que faz é que o território fique condenado ou à cultura intensiva do eucalipto ou ao abandono” e, “para que não fiquemos entre uma coisa e outra, é preciso apoio público”.

Segundo Catarina Martins, que se deslocou a Alfundão para abordar questões relacionadas com as culturas agrícolas intensivas e superintensivas, é necessário “encarar essa necessidade de apoiar as comunidades para que a sua floresta seja diversificada e seja segura”.

“Os apoios para as unidades de gestão florestal propostos pelo BE, ou seja, unidades em que as pessoas com várias propriedades pequenas se podem juntar para terem uma oura floresta, ainda não aparecerem e são fundamentais, porque não vamos conseguir proteger o território sem as pessoas que lá vivem”, frisou.

Por isso, “quando nestes dois anos de uma tragédia terrível com que o país se confrontou somos chamados a pensar nos apoios que ainda faltam a quem sofreu a tragédia” e a “quem está a sofrer, somos chamados também a pensar, não só na forma como combatemos os fogos, mas também na forma como mudamos o território”, sustentou.

E para tal é necessário o apoio às comunidades rurais, para que tenham “uma outra floresta mais segura”, impedindo este “ciclo terrível entre o eucalipto e o abandono, que é esse que provoca os fogos”, considerou.

O incêndio que deflagrou há dois anos em Pedrógão Grande e que alastrou a concelhos vizinhos provocou a morte de 66 pessoas e 253 feridos, sete dos quais graves, e destruiu cerca de meio milhar de casas e 50 empresas.