Um relatório do Departamento da ONU para a Coordenação de Assuntos Humanitários, revelado esta quinta-feira, acusa guardas líbios de terem disparado sobre migrantes e refugiados que tentavam fugir dos ataques aéreos feitos a um centro de detenção de migrantes em Tajoura. A cidade está localizada a noroeste da Líbia e fica a menos de 25 quilómetros da capital Tripoli. Na sequência dos ataques, morreram pelo menos 53 pessoas, seis das quais crianças.

Há relatos de que após o primeiro impacto, alguns refugiados e migrantes foram alvejados por guardas quando tentavam escapar” à zona afetada, indica o relatório, citado pela agência Reuters.

O relatório da ONU dá mais pormenores sobre os ataques aéreos que aconteceram na terça-feira na Líbia. Terão sido dois ataques, no total. Um deles atingiu uma garagem que se encontrava vazia, mas o outro atingiu uma divisão em que se encontravam cerca de 120 refugiados e migrantes.

Apesar de os números apontados pela ONU sugerirem 53 mortes, o relatório da organização liderada por António Guterres indica que, no momento da sua elaboração, estavam ainda a ser retirados corpos dos destroços dos ataques aéreos. Por isso, o número de vítimas mortais pode ainda aumentar.

Segundo a Reuters, estão ainda cerca de 500 pessoas no centro de detenção de migrantes de Tajoura. Há quatro migrantes nigerianos que deverão ser libertados e enviados para a embaixada do país esta quinta-feira, enquanto cerca de 31 migrantes — mulheres e crianças — deverão ser enviados para uma agência de refugiados da ONU em Tripoli, por precaução.

O regime líbio não reagiu ainda às acusações às suas forças armadas difundidas pelo Departamento da ONU para a Coordenação de Assuntos Humanitários — nem às acusações de que terão continuado a transportar migrantes, nos últimos meses, para um centro de detenção de migrantes cujos riscos de segurança eram conhecidos.