O multimilionário norte-americano Jeffrey Epstein, amigo de Donald Trunp e de Bill Clinton — que já está registado como agressor sexual — foi detido no sábado por suspeitas de tráfico sexual e de conspiração para tráfico, noticiou esta segunda-feira a BBC. Epstein foi detido em New Jersey, mas a polícia fez uma busca à mansão de que é proprietário, no centro de Nova Iorque, e encontrou diversas fotografias comprometedoras, que mostram jovens nuas.

O suspeito, que enfrenta também acusações por atos sexuais com adolescente, enfrenta uma pena de mais de dez anos de cadeia. Neste momento está preso à espera de uma sessão a 15 de julho, onde poderá ser definida a fiança a pagar pela liberdade até ao julgamento

Os crimes terão ocorrido entre 2002 e 2005. Epstein, de 66 anos, é acusado de levar menores para a sua mansão em Palm Beach, na Flórida, para ter relações sexuais. Terá praticado os mesmos crimes em Nova Iorque, Novo México e na ilha privada que tem nas Caraíbas. Em tribunal, esta segunda-feira, o suspeito declarou-se inocente, como aliás o seu advogado anunciou que iria fazer. Os procuradores disseram que não esperam para já mais acusações. Ainda assim, não descartam a hipótese de, no futuro, Epstein ser acusado de mais crimes.

Segundo a acusação, o multimilionário pagava centenas de dólares às suas vítimas, que teriam menos de 14 anos. Convidava-as para uma massagem e depois eram abusadas. Nalguns casos pagava-lhes para elas trazerem outras raparigas, daí o crime de conspiração para tráfico. Na mansão em Manhattan, no centro de Nova Iorque, foi encontrada a sala de massagens, a marquesa e uma “parafernália” de objetos relacionados com sexo.

Os jornais americanos dizem também que, pelo menos, três funcionários do magnata estariam envolvidos na rede de tráfico — um na mansão de Manhattan, outros dois na de Palm Beach.

Epstein já tinha sido acusado em 2008 de abusar de dezenas de raparigas menores e de tráfico sexual . Nessa altura aceitou um acordo e declarou-se culpado por procurar menores para prostituição, com o fim de reduzir as acusações. Este acordo permitiu a Epstein evitar a prisão perpétua. Foi na altura condenado a apenas 13 meses de prisão e obrigado a integrar o registo nacional de agressor sexual. Cumpriu a pena numa ala privada da prisão de Palm Beach County, mas foi-lhe dada a possibilidade de contratar segurança privada enquanto cumpriu a sentença. Após os 13 meses, esteve ainda um ano em liberdade condicional.

O responsável pelo acordo foi Alex Acosta, o atual secretário do Emprego do governo de Donald Trump. Na altura, Acosta desempenhava a função de procurador federal no Estado da Florida e supervisionou o acordo.

Em fevereiro deste ano, no entanto, o caso voltou a lume com um juiz da Florida a dizer que a Procuradoria tinha violado a lei porque não tinha notificado as cerca de 30 vítimas do acordo que tinha sido feito com o agressor.

Acosta recusou, entretanto, comentar o caso na sequência da detenção de Epstein. Segundo o Washington Post, Donald Trump não tem em mente despedir o atual secretário do Emprego.

Jornalista diz que foi silenciada quando o denunciou

A jornalista Vicky Ward diz que em 2001, num perfil que fez sobre o magnata para a Vanity Fair, depois de vários contactos conseguiu o testemunho de uma mãe e das suas duas filhas, uma com menos de 16 anos, que ele teria tentado seduzir. Na rede social Twitter, a jornalista explica todos os contactos que fez, como escreveu e como, quando saiu a publicação, percebeu que essa parte tinha sido eliminada. Quando perguntou ao editor as razões, responderam-lhe que o multimilionário era “sensível” a esta questão.

Ward diz no Twitter que todos sabiam o que fazia, mas que todos compactuavam. E revela que se a sua informação não tivesse sido censurada, provavelmente teriam sido poupadas algumas vítimas.

O magnata é conhecido pelas amizades que manteve durante décadas com altas figuras como Donald Trump (quando este ainda era empresário), o ex-presidente dos Estados Unidos Bill Clinton ou o advogado Alan Dershowitz.

Um porta-voz de Bill Clinton emitiu entretanto um comunicado (citado pelo Washington Post) onde afirma que o ex-presidente “nada sabe acerca dos terríveis crimes” dos quais Epstein se declarou culpado “há vários anos” e “dos quais foi recentemente acusado em Nova Iorque”. A mesma fonte diz que Clinton não fala com Epstein “há bem mais de uma década”.

Epstein fundou em 1982 a empresa de finanças J. Epstein & Co, cujo nome alterou depois para Financial Trust Company. Financiou também os negócios de Leslie Wexner, fundador da Limited Brand. O empresário é igualmente responsável pela criação da Fundação Jeffrey Epstein VI, que financia investigação científica e na área da educação. Em 2003, tentou comprar a New York Magazine e, no mesmo ano, criou o Program for Evolutionary Dynamics na Universidade de Harvard, com um donativo de 30 milhões de dólares (cerca de 26 milhões de euros).

(Artigo atualizado às 8h05)