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Super Bock Super Rock

Super Bock Super Rock. Num primeiro dia morno, Lana Del Rey foi um consolo

O primeiro dia do festival esgotou por causa dela. Lana Del Rey voltou ao Meco sete anos depois da sua estreia em Portugal e, com um baralho cheio de grandes sucessos, fez os fãs chorarem.

Lana Del Rey fechou o palco principal no primeiro dia do Super Bock Super Rock. Era a grande cabeça de cartaz

SBSR

Era o único dia esgotado no Super Bock Super Rock. O motivo (e não vale apenas estarmos com ilusões) era apenas um — Lana Del Rey. A norte-americana regressou esta quinta-feira a Portugal sete anos depois da sua estreia, precisamente na Herdade do Cabeça do Flauta, onde o festival ainda decorria antes de regressar temporariamente para Lisboa. Na altura, Lana tinha então lançado o álbum que a tornou num grande nome da pop moderna, Born To Die, e contava com um número (mais ou menos) limitado de hits na carteira. Esta noite, foi diferente. O segundo concerto da artista em solo português fez-se com cinco discos editados (se contarmos com o de estreia, o homónimo Lana Del Ray, que passou despercebido) e um novo na calha.

Norman Fucking Rockwell só deverá sair em agosto ou setembro (a 25 de junho, Lana dizia que sairia dentro de “dois meses”), mas já se conhecem alguns temas, como o fabuloso “Venice Bitch”, provavelmente o mais longo hit de final de verão de que há memória (tem mais de nove minutos). A canção era naturalmente uma das mais aguardadas esta noite, assim como as mais antigas “Video Games”, “Born To Die” ou “Summertime Sadness”. Tudo coisas boas, criadas por uma cantora-compositora-artista que, saída sabe-se lá de onde, foi capaz de dar uma nova vida ao mundo há muito estagnado da pop. Às vezes quando estamos convencidos que já não há nada capaz de nos surpreender é quando as surpresas acontecem.

Surpresa foi também o concerto de Lana Del Rey desta quinta-feira. Depois de um dia quente com concertos mornos, entre os quais o de uma Cat Power que esteve como peixe fora de água num festival de verão e o de uns The 1975 que não convenceram, a artista norte-americana foi uma lufada de ar fresco. Sorridente e bem disposta, distribuiu beijos, autógrafos, abraços. Deixou os fãs deliciados e obrigou aqueles que só conhecem as canções mais famosas a esperar dez minutos enquanto percorria as primeiras filas do palco principal do Super Bock Super Rock. Mas ninguém saiu insatisfeito. “Vamos cantar músicas antigas, músicas novas, coisas do novo álbum”, anunciou Lana, e foi precisamente isso que aconteceu. Houve tempo para tudo neste concerto, até para a cantora se refastelar no chão, acompanhada pelas duas bailarinas, para “Pretty When You Cry”.

“Cantam a ‘Blue Jeans’ comigo?”, perguntou a seguir ao tema do disco Ultraviolence. O público que encheu (pela primeira vez no dia) o espaço junto ao palco principal do Super Bock Super Rock cantou. Essa música e muitas outras. Mas, apesar do coro afinado, foi a gravação que deveria servir de back vocals a Lana Del Rey que mais se fez ouvir durante a atuação desta quinta-feira. Demasiado alta para servir apenas de pano de fundo, acabou muitas vezes por engolir a voz ao vivo. O desequilíbrio era tanto que, por vezes, dava a sensação de se estar a assistir a um concerto previamente gravado.

Foi a única falha num concerto competente, com uma Lana que já ganhou calos e que já tem alguns anos de estrada em cima. Os tempos de insegurança já lá vão, e a Lana Del Rey dos dias de hoje é uma mulher que pisa o palco com confiança, que sabe até onde pode — e deve — levar a sua voz. Isso nota-se especialmente na forma como improvisa temas que conhece de olhos fechados. Nenhuma canção soa como no álbum, e isso faz com que cada espetáculo da norte-americana seja diferente. Poucos artistas se sentem à vontade para o fazer.

Para a reta final do concerto, Lana deixou o novo single — uma versão de “Doin’ Tim” dos Sublime —, “National Anthem”, “Summertime Sadness” e “Off To The Races”. A despedida final fez-se ao som de “Venice Bitch”, que levou a cantora mais uma vez ao público choroso das primeiras filas para uma última dose de beijos e selfies. Depois subiu as escadas de acesso ao palco, pegou nos presentes e saiu, acenando e deixando um rasto de brilho de que apenas as antigas estrelas de Hollywood se podiam gabar.

Setlist de Lana Del Rey:

Born To Die
Cherry
White Mustang
Pretty When You Cry
Blue Jeans
Mariners Apartment Complex
Black Beauty/ Young and Beautiful/ Ride (medley)
Videogames
Doin’ Time (cover)
National Anthem
Summertime Sadness
Off To The Races
Venice Bitch

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