O coronel Taciano Alfredo Teixeira Correia foi detido na manhã deste sábado no aeroporto, avança o Jornal de Notícias. Taciano Correia liderava a investigação criminal da GNR à data do furto de Tancos e regressava este sábado de uma missão na República Centro Africana. Presente a tribunal, saiu em liberdade, suspenso de funções em Portugal e no estrangeiro e de contactar com os restantes 24 arguidos do processo.

A 13 de julho, o Observador já tinha noticiado que o coronel tinha sido constituído arguido no inquérito criminal sobre o assalto aos paióis de Tancos, que ocorreu na madrugada de 28 de junho de 2017. Taciano Correia era o antecessor do também arguido Amândio Marques, diretor da Direção de Investigação Criminal do Comando Operacional da GNR.

Ao que o Observador apurou, Amândio Marques foi constituído arguido em co-autoria pelos crimes de associação criminosa, tráfico de armas, denegação de justiça, prevaricação, falsificação de documentos e favorecimento pessoal praticado por funcionário tendo ficado suspenso de funções.

De acordo com o Jornal de Notícias, o coronel Taciano Alfredo Teixeira Correia foi detido no Aeroporto Humberto Delgado, quando regressava. Presente a tribunal, saiu em liberdade, suspenso de funções em Portugal e no estrangeiro e proibido contactar com os restantes arguidos do processo. Estava a coordenador uma missão das Nações Unidas na República Centro Africana, que teve de interromper quando soube que ia ser constituído arguido.

Segundo o jornal Expresso, Taciano Correia foi contactado pelo então diretor da Polícia Judiciária Militar, Luís Vieira, também arguido no processo, um mês após o furto de material de guerra do paiol de Tancos. O responsável pela PJM queria autorização para que os militares da GNR de Loulé participassem na investigação paralela — uma vez que o caso estava nas mãos da PJ civil. Os militares tinham percebido que naquele postos da GNR trabalhava um operacional que era amigo de infância de João Paulino, que terá sido o cabecilha do assalto.

Taciano Correia, e depois Amândio Marques, autorizaram a operação, segundo o Ministério Público. Havia apenas uma condição: agir nas costas do comandante territorial de Faro, o coronel Joaquim Castro, porque todos sabiam que não podiam contar com a sua conivência.

No processo de Tancos, que conta já com 25 arguidos, investiga-se não só os autores do assalto ao paiol, mas também a operação que levou à recuperação do armamento num descampado na zona da Chamusca. Na altura a PJ percebeu que o achamento não tinha sido opinado e que a PJMilitar, que perdera a investigação para a PJ civil, tinha andado a fazer diligências paralelas à revelia da PJ civil e do próprio Ministério Público, a quem cabe conduzir a investigação.

Isso mesmo foi assumido tanto por Luís Vieira como pelo major Vasco Brazão — o ex-porta-voz da PJM que participou na investigação paralela e que esta sexta-feira acabou por ser libertado da prisão domiciliária pelo Tribunal da Relação de Lisboa, uma vez que já não existe o perigo de perturbação do inquérito. Ambos contaram como agiram perante os deputados que compuseram a comissão de inquérito parlamentar para apurara responsabilidades políticas no caso de Tancos. Já depois disso foram constituídos arguidos militares do topo da hierarquia da GNR e o próprio então ministro da Defesa, Azeredo Lopes.

Um relatório do Ministério Público, a que o Expresso teve acesso, a semanas de ser proferida a acusação, revela que Azeredo Lopes foi informado da operação paralela depois de recuperadas as armas, tal como se percebeu na comissão de inquérito. Mas que guardou essa informação para si e  não a partilhou nem com o primeiro-ministro António Costa, nem com o Presidente da República, Marcel Rebelo de Sousa, que tantas vezes se pronunciou sobre a necessidade de recuperar aquele material furtado.