A força pode não ser a mesma — sobretudo depois de as forças armadas do califado terem sido derrotadas na Síria, há cerca de quatro meses —, mas o autoproclamado Estado Islâmico, apesar de aparentemente estar algo adormecido, continua ativo e a ser uma ameaça também para a Europa. O aviso é feito num relatório do comité de contra-terrorismo do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), que garante que as células do ISIS estão a “adaptar-se, consolidar e a criar condições para um possível ressurgimento” na Europa.

O relatório, recém-publicado e citado pelo jornal The New York Times, alerta que não é de descartar a possibilidade de eventuais ataques de combatentes ligados ao Estado Islâmico em países europeus ainda este ano. A ideia poderá passar por tentar “exacerbar” sentimentos de “dissidência e revolta” na Europa.

Em maio, o presidente do comité do Conselho de Segurança das Nações Unidas que vigia as sanções impostas ao autoproclamado Estado Islâmico, Dian Triansyah Djani — que é também embaixador da Indonésia na ONU —, já tinha avisado que o ISIS começou a reorganizar as suas células no Iraque e permanece um perigo a nível global.

Apesar de ter perdido praticamente todo o território que controlava nos seus bastiões no Médio Oriente, o Estado Islâmico continua a ser  “a maior ameaça terrorista internacional” e a organização que garante mais recursos, avisava ainda Dian Djani há dois meses.

A ONU tem insistido reiteradamente nos últimos meses na recusa da ideia de que o ISIS, por ter perdido força na Síria, deixou de ser uma ameaça global. Em janeiro, num relatório anterior do comité de contra-terrorismo do seu Conselho de Segurança, a ONU notava o regresso em força de “um método de comunicação entre os centros de comando e controlo do ISIL e indivíduos em diferentes países europeus”. E avisava para os perigos quer do regresso de combatentes terroristas estrangeiros à Europa quer da saída em liberdade de cidadãos europeus que se radicalizaram e que se encontram detidos, a cumprir uma pena de prisão que terminará nos próximos anos.

Nesse relatório de janeiro, a ONU notava que “um Estado-Membro [da UE] reportou que a propaganda inspirada pelo ISIL andava a ser agora desenvolvida localmente”, em vez de ser importada diretamente da Síria.