Os jihadistas portugueses podem estar de volta a casa. PJ tem “alguns” na mira /premium

17 Julho 20192.623

Entre 12 a 20 portugueses ter-se-ão juntado ao Estado Islâmico. Muitos podem ter morrido em combate, mas um número "residual" pode estar vivo e de regresso a Portugal. Governo não revela quantos são.

É o jihadista português mais perigoso e vigiado pelos serviços secretos europeus. O risco de vir a praticar atos terroristas na Europa é elevado. Nero Patrício Saraiva foi um dos primeiros terroristas portugueses indicados pelas autoridades britânicas às portuguesas, ainda em 2012. Estaria envolvido no sequestro do fotojornalista britânico John Cantlie, no verão desse ano, como avançou a revista Sábado. Na altura, era apenas uma suspeita. Mas, mais tarde, era quase certo que se tratava de Nero Saraiva. É que o recrutador do português tinha sido Abu Mohammad al Absi (nome de guerra de Firas al Absi), o responsável, juntamente com o irmão, por uma onda de sequestros de cidadãos ocidentais na Síria, incluindo o fotojornalista John Cantlie e James Foley, que acabou por ser assassinado — o primeiro norte-americano a ser executado pelo Estado Islâmico.

O português natural de Benguela, em Angola, veio para Portugal aos três anos, com a mãe e a irmã. Cresceu em Lisboa, numa família muito católica, e estudou em Aveiro. Mais tarde, foi para o Porto estudar engenharia civil — curso que viria a completar em Londres, onde se tornou especialista em petróleo. Foi na capital inglesa que Nero Saraiva teve o primeiro contacto com o Islão, ao ir viver para Leyton — um bairro londrino com uma das maiores comunidades muçulmanas de Inglaterra e a partir do qual um grupo de portugueses se viria a radicalizar e a partir para a Síria. O português conheceu lá os irmãos Celso e Edgar — outros dois jihadistas portugueses conhecidos. De acordo com o jornal Expresso, que cita fonte das secretas, a morada de Nero Saraiva registada em Portugal é a mesma dos dois irmãos, apesar de nunca ter lá vivido.

Leyton é um bairro londrino onde vive uma das maiores comunidades muçulmanas de Inglaterra (FÁBIO PINTO/OBSERVADOR)

Saraiva converteu-se em 2011. Tinha 25 anos. Foi para a Síria, na zona de Alepo, em outubro do ano seguinte. Além do sequestro de John Cantlie, o nome do português apareceu ligado a um atentado falhado na Tanzânia, em 2014, pelo grupo Al-Shabaab — uma organização terrorista que atua especialmente no sul da Somália. Segundo o mesmo jornal, o engenheiro português fornecia armamento e dinheiro, a partir da Síria. Casou-se com uma australiana e tem quatro filhos, de mulheres diferentes.

Se Nero está vivo ou morto é um grande mistério. Há grandes dúvidas sobre o seu paradeiro. Em março de 2014, terá ficado ferido nas pernas com gravidade, tendo voltado à batalha, mas não na frente de combate. A ter sobrevivido, Nero pode ser um dos combatentes terroristas estrangeiros — os chamados Foreign Terrorist Fighters (FTF) — que, agora, poderão querer regressar aos seus países de origem. Neste caso, Portugal. As secretas portuguesas estão à sua procura, escreve a Sábado.

Mais de cinco mil europeus radicalizaram-se e, agora, podem estar de volta

Mais de 42 mil pessoas de 120 países juntaram-se ao Estado Islâmico entre 2011 e 2016. Desse número, mais de 5 mil eram europeus: a maioria era da Bélgica, França, Alemanha e Reino Unido, mas um número significativo partiu também da Áustria, Dinamarca, Finlândia, Suécia, Itália, Holanda e Espanha. Mas os que partiram estão a regressar à Europa. “A partir de 2015, quando o ISIS começou a ser combatido de forma mais concertada por parte da coligação internacional, o Estado Islâmico foi perdendo terreno e os combatentes já foram regressando”, explica ao Observador Maria do Céu Pinto Arena, investigadora de estudos islâmicos e diretora do Departamento de Relações Internacionais e Administração Pública da Universidade do Minho.

"A partir de 2015, quando o ISIS começou a ser combatido de forma mais concertada por parte da coligação internacional, o Estado Islâmico foi perdendo terreno e os combatentes já foram regressando"
Maria do Céu Pinto Arena, investigadora de estudos islâmicos

Muitos dos combatentes que se juntaram ao ISIS morreram em combate — é certo. Outros foram capturados. Mas muitos outros têm vindo a regressar gradualmente. De acordo com dados da Comissão Europeia, até julho de 2017 já cerca de 30% dos combatentes estrangeiros tinham regressado aos seus países, na Europa. “Muitos deles, havendo investigações que conseguem reunir prova do seu envolvimento em atos terroristas, são detidos. Ou apenas o facto de terem aderido a uma organização terrorista, face a muitos ordenamentos jurídicos, é suficiente”, diz ao Observador fonte da Unidade Nacional Contra Terrorismo (UNCT) da Polícia Judiciária (PJ), alertando: “Em relação a muitos combatentes, não há essa informação. Portanto, acabam por regressar, mas não são objeto de nenhum procedimento penal”.

Foi esta problemática que se discutiu num auditório do Hotel Sana, em Lisboa. Entre os dias 25 e 27 de junho, cerca de 90 participantes de 36 países estiveram reunidos num encontro internacional da Interpol, em colaboração com a PJ, sobre terrorismo. O grupo de trabalho, intitulado Interpol Nexus, analisou a problemática do regresso dos combatentes terroristas estrangeiros aos países de origem e fenómenos criminais associados.

Afinal, quantos e quem são os terroristas portugueses vivos? Ninguém revela

Para a Síria e para o Iraque partiram também portugueses que se juntaram ao Estado Islâmico. As autoridades não têm conhecimento de que, até ao momento, algum tenha regressado e não houve sequer detenções nesse sentido, confirmou fonte da UNCT ao Observador. Não quer isto dizer que não regressem ainda — e a PJ tem “alguns” na mira. Mas quantos terroristas portugueses existem? E quem são eles? O Governo não revela.

Logo após a sessão de abertura do encontro internacional da Interpol, a ministra da Justiça, Francisca Van Dunem, depois de ter discursado, garantiu que o Governo sabe exatamente quantos são, mas não revela. “Não vou revelá-lo agora, mas o Governo tem exata noção do número dos [combatentes terroristas portugueses] que estiveram, do número dos que estão vivos e, obviamente, também do número de familiares que essas pessoas têm e que se encontram em campos de refugiados”, disse em declarações aos jornalistas. O Observador contactou o gabinete do ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, que também não quis revelar esse número.

O mesmo faz a PJ que diz apenas que é um valor “muito, muito residual”. “Temos a informação, não plenamente confirmada, de que a maior parte destes indivíduos terá perecido em combate ou por ação da coligação internacional contra o Estado Islâmico. Portanto, não constituiu propriamente uma ameaça”, explicou fonte da Unidade Nacional Contra Terrorismo ao Observador, acrescentando: “Com a destruição do território do califado — o território físico — o ideal de califado não desapareceu. Continua a haver a visão do jihadismo. A questão é que, em termos de território, face à ação da coligação internacional contra o Estado Islâmico, eles acabaram por ter de abandonar os territórios que ocupavam”. Muitos foram mortos, muitos estão detidos em campos de detenção e, portanto, há uns que tentam fugir de lá: vir para a Europa ou vir para outros países.

Por reduzido que seja esse número, a PJ tem “matéria penal, em relação a alguns indivíduos”. “Se voltarem a território nacional, sofrerão consequências em termos de processo penal”, disse a mesma fonte, adiantando: “Todos os fenómenos de radicalização que nós conhecemos ocorreram fora do território nacional: as pessoas não partiram diretamente daqui para esses palcos jihadistas, mas sim de outros países europeus.” Em abril de 2015, o Ministério Público emitiu mandados de captura em nome de cinco jihadistas portugueses: Celso e Edgar Rodrigues da Costa, Fábio Poças, Nero Saraiva e um outro português.

Cerca de 90 participantes de 36 países estiveram num encontro internacional da Interpol, em colaboração com a PJ, sobre terrorismo (JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR)

Por enquanto, nenhum voltou. O caso português, nas palavras da investigadora Maria do Céu Pinto Arena, é “bastante diferente”: “Tivemos um número de jihadistas mais baixo: andará entre os 12 e os 20 e a maior parte deles morreu“. Embora as fontes oficiais não o revelem, a verdade é que muitos dos terroristas portugueses são nomes e caras conhecidas. Não só porque foram sendo divulgados na comunicação social, como os próprios assumiram a sua ligação ao terrorismo, nas redes sociais. “Se há algum vivo, nem sequer se sabe se quererá vir para Portugal. E, se vierem, vão ser alvo de medidas judiciais, naturalmente”, explica ainda a investigadora da Universidade do Minho. Afinal, o que se sabe sobre os terroristas portugueses? Além de Nero, e de acordo com o que a comunicação social foi divulgando, outros 11 ter-se-ão radicalizado — contabilizando-se nove mortes. Sobre um, há a certeza que está vivo: Steve Duarte deu uma entrevista há poucos dias.

Edgar Rodrigues da Costa (Abu Zakaria Al Andalusi), 36 anos

Filho de retornados de Angola, Edgar nasceu já em Portugal e cresceu na zona da linha de Sintra. Licenciou-se no curso de Gestão e Contabilidade, no Porto. Quando terminou a licenciatura, decidiu partir para Londres, com intenções de prosseguir os estudos na Universidade de East London. Faz parte do grupo de portugueses do bairro de Leyton, que se viria a juntar ao grupo radical. Começou a frequentar a mesquita de Forest Gate e ali terá sido recrutado.

Depressa se tornou recrutador de novos membros, utilizando o chat do Facebook para o fazer. No final de 2012, viajou para a Turquia de avião, para depois percorrer o caminho até ao norte da Síria de carro e a andar, onde se juntou efetivamente ao autoproclamado Estado Islâmico. Em setembro do ano passado, escreveu o Expresso, foi dado como morto. Terá morrido durante combates no terreno contra tropas curdas ou sírias.

Celso Rodrigues Costa (Abu Issa Al-Andaluzi), 33 anos

É irmão de Edgar Costa e morreu junto dele. Segundo o jornal Expresso, foi, aliás, o primeiro a morrer. Terá partido para Londres por influência de Edgar e instalou-se no mesmo bairro: Leyton. Embora não se mostrasse tanto nas redes sociais, como o irmão, Celso tornou-se num dos mais conhecidos terroristas português quando, em abril de 2014, partilhou um vídeo no Youtube em que aparecia de cara tapada e uma kalashnikov na mão, apelando a que mais muçulmanos se juntassem ao Estado Islâmico.

Inicialmente, chegou a pensar-se que o português era o futebolista Luís Boa Morte, porque dizia que tinha sido jogador do Arsenal — clube onde Celso tentara entrar, mas não chegou a integrá-lo efetivamente. Mais tarde, através de um programa de reconhecimento facial, os serviços secretos revelaram a sua identidade.

Fábio Poças (Abdu Rahman Al Andalus), 27 anos

Também faz parte do grupo de terroristas portugueses do bairro londrino de Leyton. Mudou-se para Londres aos 19 anos, na esperança de se tornar jogador de futebol profissional. Acabaria por conhecer e tornar-se amigo dos irmãos Edgar e Celso. Não demorou muito tempo até que se convertesse ao Islão e se passasse a chamar AbduRahman Al Andalus.

Chegou à Síria em 2013, recebeu um mês de treino militar e juntou-se à brigada Kataub al Muhajireen, onde estão combatentes de outros países ocidentais. Mais tarde, esse grupo integrou o Estado Islâmico. De acordo com o Diário de Notícias, foi último dos jihadistas portugueses a ser dado como morto pelas autoridades de contraterrorismo nacionais. Fábio tinha três mulheres — uma delas portuguesa, Ângela, que conheceu através da internet — e três filhos.

Sandro Monteiro (conhecido por Funa), 36 anos

Deste grupo do bairro londrino de Leyton, Sandro Monteiro foi o último a radicalizar-se. Só em janeiro de 2014 é que partiu para a Síria, sete anos depois de chegar a Londres. Tal como os portugueses da célula de Leyton, cresceu na Linha de Sintra, mas a família vem de Cabo Verde. Sandro já conhecia Edgar e Celso desde a infância em Portugal porque frequentaram a mesma escola secundária.

A sua estadia na Síria foi curta. Em novembro de 2014, dez meses depois de lá chegar, os pais e os amigos receberam a notícia de que Sandro tinha morrido em combate, em Kobane, no final de outubro desse ano.

Mikael Batista (Abou Uthman), 28 anos

Os pais de Mikael Batista são de Vila Real, mas o filho nasceu em França, para a família tinha emigrado. Mikael tem, por isso, dupla nacionalidade. Chegou a estudar desporto, numa universidade em Paris. Além disso, praticava boxe, artes marciais e ginástica acrobática. Partiu para a Síria, em 2013, sem ter lá qualquer contacto. Primeiro, passou pela Turquia, em agosto desse ano e, depois, acompanhado de outro francófono que já lá estava há uns meses, arrancou para a Síria e instalou-se em Raqqa.

Mikael chegou a publicar no Twitter imagens de cabeças cortadas ou relacionadas com temas de violência, radicalismo islâmico, morte ou mutilações, mas, depois de várias denúncias, acabou por ver a sua conta suspensa — o que não o impediu de criar outra de imediato. Em janeiro de 2015 o Estado Islâmico anunciou que Mikael Batista tinha morrido em combate.

Mickaël dos Santos (Abou Uthman), 27 anos

Era amigo de Mikael Batista dos convívios em Champigny-sur-Marne, nos arredores de Paris. Partiu para a Turquia ainda antes do amigo, em fevereiro de 2013, onde aguardou que Mikael Batista aterrasse mais tarde. Em novembro de 2014, Mickaël dos Santos era apontado como um dos suspeitos num vídeo difundido pelo Estado Islâmico que mostrava um grupo de soldados sírios a ser decapitado. A mãe chegou a confirmar às autoridades que era o filho, mas depois negou, afirmando que tinha sido coagida a tal afirmação. No Twitter, Mickaël escreveu: “Eu claramente anuncio que não estou naquele vídeo”.  Não há informações sobre o seu paradeiro.

Ismael Omar Mostefai (33 anos)

A sua mãe é natural de Póvoa de Lanhoso e emigrou para França há mais de 40 anos. Mostefai já lá nasceu, em Courcouronnes, a 21 de novembro de 1985, nos arredores de Paris. Segundo o jornal francês Le Monde, em 2014, Mostefai terá visitado a Síria, onde terá ficado durante largos meses. De acordo com o jornal francês, há filmagens do terrorista na Turquia, em outubro de 2013. Foi sinalizado como um alvo de alto risco da radicalização islâmica em 2010 — Mostefai tinha registo criminal de oito condenações, mas sem pena de prisão. Os crimes foram cometidos entre 2004 e 2010.

Foi um dos terroristas envolvidos no atentado de novembro de 2015, em Paris. Acompanhado de outros dois homens, Ismael Omar Mostefai matou dezenas de pessoas que assistiam ao concerto dos Eagles of Death Metal, no Bataclan. Foi um dos atacantes que se fizeram explodir no teatro e o primeiro a ser identificado pela polícia, a partir das impressões digitais.

Dylan Omar (Omar Khattab), idade não conhecida

Omar é filho de mãe portuguesa emigrante em França. De acordo com o jornal Expresso, a sua mãe já foi à Turquia, na fronteira com a Síria, duas vezes para tentar trazer o filho de volta para a Europa. Numa dessas tentativas para o resgatar, Catarina Almeida ter-se-á juntado também ao Estado Islâmico e terá sido detida num campo de refugiados situado no norte da Síria. Sobre o filho nada se sabe, até ao momento.

Steve Duarte (Abu Muhadjir Al Purtughali), 30 anos

Sabe-se que está vivo porque, ainda no final de junho, deu uma entrevista a um canal de televisão curdo. Steve Duarte nasceu na Figueira da Foz e emigrou para o Luxemburgo, onde estudou no liceu em Arlon, uma cidade na fronteira com a Bélgica. Em 2014 juntou-se ao Estado Islâmico e, dois anos depois, terá aparecido num vídeo de propaganda do ISIS, no qual cinco reféns, identificados como traidores do Estado Islâmico, são executados — um deles pelo jihadista português. Atualmente está detido na Síria e, na entrevista, mostra-se arrependido: “Cometi um erro. Estou pronto para ir para a cadeia”.

“O Português” (Abu Juwairiya al-Portughali), idade não conhecida

O homem, conhecido como “O Português”, terá sido um dos 180 jihadistas libertados em setembro de 2014, em troca de cerca de 50 reféns no consulado de Ancara, em Mossul. Pouco tempo depois, porém, em março de 2015, o Estado Islâmico anunciou a sua morte — a primeira vez que o seu nome foi mencionado publicamente.

José Parente (Abu Osama Al-Faransi), idade não conhecida

Os seus pais são naturais de Tondela, mas emigraram para Toulouse, no sul de França. De José Parente sabe-se apenas que, depois de se juntar ao Estado Islâmico, morreu a 22 de maio de 2014, num ataque suicida no Iraque.

Sadjo Turé, 39 anos

Também originário da linha de Sintra, Sadjo Turé faz parte da célula de Leyton. Viajou para a Síria em 2014 e terá sido atingido pelas tropas do presidente sírio Bashar al-Assad, num ataque surpresa, segundo o jornal Expresso. A sua morte foi anunciada a 20 de novembro de 2015.

Portugal não deverá ter muitos terroristas de volta a casa. Mas basta um “para provocar destruição”

O panorama para Portugal é menos preocupante do que nos outros países: a probabilidade de algum terrorista regressar a casa é menor também porque os que se juntaram ao Estado Islâmico são menos do que aconteceu noutros países europeus. Mas a PJ está atenta. “Basta um indivíduo e com recursos até muito elementares. Não é preciso um batalhão de gente para provocar muita destruição. Basta que tenha vontade. Portanto, qualquer indivíduo acaba por ser uma preocupação”, explica fonte a Unidade Nacional Contra Terrorismo ao Observador, adiantando, ainda assim, que os jihadistas “não regressam necessariamente aos seus países de origem”: “Poderão ir para qualquer outro país. Nunca está fora de questão essa possibilidade. Apesar de Portugal ser dos países mais seguros do mundo, nada está afastado”.

"Basta um indivíduo e com recursos até muito elementares. Não é preciso um batalhão de gente para provocar muita destruição. Basta que tenha vontade"
Fonte da Unidade Nacional Contra Terrorismo da PJ

O regresso dos combatentes terroristas é um problema, em primeiro lugar, de segurança — “que não pode ser subestimado porque todas as pessoas que foram combater ao lado de grupos radicais, seja o ISIS ou outros, à partida são indivíduos perigosos”, alerta a investigadora Maria do Céu Pinto Arena. Depois, é um problema social. “São pessoas radicalizadas, que não se vão integrar e que podem ser o motor da radicalização de outras“, acrescentou a investigadora, apontando: “Não quer dizer que a radicalização leve necessariamente a cometer atentados”.

Ainda assim, Portugal não está completamente àparte do terrorismo. Aliás, foi usado muito como “refúgio”. “Portugal sempre teve para os terroristas a vantagem de ser um país sossegado, onde eles puderam, durante muito tempo, deslocar-se, arranjar refúgio, sem dar nas vistas. E, em alguns casos, organizar algumas atividades logísticas, não diretamente relacionada com organização de atentados terroristas, mas atividades de financiamento ou uso de documento de identificação falso”, explicou ainda Maria do Céu Pinto Arena.

A investigadora não deixa, no entanto, de alertar que “as coisas podem mudar”. E explica: “Nós agora somos uma grande atração turística, mas Portugal é um país que está inserido num contexto de organizações internacionais e alianças que os terroristas não gostam e que são alvos a abater. Como é um país tranquilo, pode facilitar a organização de um atentado e os terroristas gostam de atacar em países onde há muita gente de muitas nacionalidades e uma grande concentração turística”.

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