Depois da loucura de um Grande Prémio da Alemanha à chuva onde Max Verstappen conseguiu a segunda vitória da temporada, Sebastian Vettel saltou do 20.º para o segundo lugar e os Mercedes só entraram nos pontos porque Lewis Hamilton aproveitou algumas penalizações para subir ao nono posto, a passagem da Fórmula 1 pela Hungria era aguardada com grande expetativa para se perceber o que tinha sido exceção e o que podia tornar-se regra entre os pilotos da frente do Mundial. Logo à partida, o holandês assumiu uma palavra neste particular. E conseguiu mesmo escrever uma página histórica na modalidade.

A corrida de loucos que consagrou Verstappen, premiou Vettel e arrumou com os Mercedes – e a Netflix saiu a ganhar

Ao conseguir a sua primeira pole position da época, Verstappen tornou-se o 100.º piloto a fazer a melhor volta em pouco mais de 1.000 Grandes Prémios realizados até hoje. E não ficou por aí: conseguiu alcançar o feito como o quarto mais novo de sempre, só atrás de Vettel, Alonso e Leclerc, e foi também o quarto piloto que demorou mais a chegar a uma pole depois de ter ganho uma corrida (GP de Espanha, em 2016). Atrás dele, um Mercedes e não o de Lewis Hamilton. Numa semana de especial importância para o seu futuro, o finlandês deu cartas na qualificação mas o pior ainda estava para vir.

“Temos um piloto de topo em Valtteri Bottas, estamos cientes disso. Mas também temos um jovem e talentoso piloto em Ocon, também merece um lugar na Fórmula 1. Se houvesse apenas um bom piloto a decisão seria fácil, assim as coisas são diferentes. A verdade é que ambos merecem uma oportunidade na Mercedes”, assumiu o chefe da equipa, Toto Wolff, a propósito de quem será o companheiro de Lewis Hamilton na próxima temporada, numa decisão que será tomada em agosto (mesmo que não seja logo aí divulgada). De forma mais ou menos consciente, o escandinavo ficou com uma pressão bem maior e acusou esse estado logo no arranque: depois de duas travagens muito em cima perante a pressão de Hamilton, Bottas viu o companheiro assumir o segundo lugar, cedeu ainda uma posição para Leclerc e foi depois ultrapassado por Vettel, tendo mesmo de passar pelas boxes por causa de um ligeiro toque na traseira do pentacampeão mundial que lhe condicionou por completo a corrida.

Lá na frente, cedo se começou a desenhar uma luta a dois entre Verstappen e Hamilton. E, nesse particular, foi uma das corridas mais interessantes de seguir em termos táticos. Quando o holandês começou a sentir que a aderência dos pneus não era a mesma, o britânico forçou ao máximo para ganhar alguma diferença mas a paragem nas boxes acabou por não trazer alterações no topo da prova. Depois, Hamilton voltou a forçar o andamento, chegou a estar em zona de ultrapassagem com DRS no seguimento de uma volta onde ganhou dois segundos, mas Verstappen conseguiu defender a sua posição da melhor forma.

Tudo seria decidido nos detalhes e a Mercedes arriscou com uma jogada que ninguém esperava, levando Hamilton às boxes na 49.ª volta para colocar pneus médios e dar tudo para chegar à ponta final da corrida com possibilidades de ameaçar o primeiro lugar de Verstappen. Primeiro, percebeu-se que podia ter sido uma jogada de génio; depois, pela resistência do holandês na frente e pela forma como se estava a dar bem com os tempos no terceiro setor, podia não ser assim tão linear; na ponta final, com o holandês a sentir dificuldades de aderência, Hamilton saltou para a frente na 67.ª volta e assegurou uma vitória fundamental para a revalidação do título, restando a Verstappen passar pelas boxes para assegurar a volta mais rápida enquanto Vettel assegurou ainda a última posição do pódio ultrapassando o companheiro Leclerc na penúltima volta.