Meia centena de pessoas concentraram-se esta sexta-feira na Praça Luís de Camões, em Lisboa, numa iniciativa em defesa dos territórios e dos povos indígenas, por ocasião do Dia Internacional dos Povos Indígenas.

Segundo afirmou Andrea Bagnoli, membro do Fórum Indígena Lisboa, associação organizadora do protesto, a iniciativa visou “denunciar a situação inaceitável que se está a passar” com os povos indígenas.

“O objetivo primário é a consciencialização, ou seja, a denúncia e a informação. O Fórum nasceu mesmo por isso, porque aqui na Europa chegam muito poucas informações do que se está a passar”, explicou Bagnoli.

O manifestante assinalou que “na Colômbia, só nesta semana, foram mortos quatro líderes indígenas” e que há, no Brasil, desde o início do ano, “uma guerra declarada face aos povos indígenas”, assim como uma deflorestação da floresta Amazónica.

A maioria dos participantes na iniciativa, que se começaram a concentrar por volta das 15h00, apresentava-se com pinturas faciais.

À Lusa, Joana Canelas, também do Fórum Indígena Lisboa, assinalou que estas pinturas faciais representavam uma “solidariedade com os povos indígenas”, referindo que estas eram também “pinturas de guerra” na luta “contra a exploração dos povos e dos territórios” que estes ocupam.

O Fórum Indígena Lisboa apresenta-se como uma “plataforma de solidariedade internacional e de pressão política face aos atentados aos povos indígenas de todo o mundo”, assumindo as “lutas locais pela defesa dos territórios, militando pela reflorestação e agindo contra o extrativismo de combustíveis fósseis e as alterações climáticas”.

Fernando Sousa, da Rede Suíça de Apoio aos Indígenas e do Fórum Indígena Basileia, destacou a importância destas manifestações em territórios europeus.

“Através da economia globalizada e da política globalizada, nós temos uma interligação muito forte com aquilo que acontece na Amazónia ou em qualquer outro território indígena”, disse.

O ativista acrescentou que as atividades económicas de “muitas das empresas que estão sediadas na Europa, nos Estados Unidos ou noutros países ricos” têm “consequências muito nefastas para os povos indígenas e para os direitos dos povos indígenas”.

Já Bruno Falci, do Coletivo Andorinha e representante do grupo Jornalistas Livres em Portugal, acusou o governo do Presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, do ataque às comunidades indígenas naquele país.

“Através do governo Bolsonaro retirou-se, por exemplo, que a Funai (Fundação Nacional do Índio) cuidasse das questões indígenas no Brasil, que é uma fundação histórica e supra Governo (…) e ele mudou essa responsabilidade para o Ministério da Agricultura”, afirmou Falci, também membro do Partido dos Trabalhadores. Em causa está um projeto de lei criado pelo Presidente brasileiro que foi chumbado pelo Congresso.

Falci acusou o Ministério da Agricultura de defender “os grandes proprietários rurais” e que este “não tem o menor interesse em proteger a Amazónia”.

“Se o Bolsonaro resolver queimar a Amazónia, isso não é problema só do povo brasileiro, isso é um problema internacional. O aquecimento global é uma realidade científica”, concluiu.

Segundo dados da análise global da organização não-governamental irlandesa Front Line Defenders, mais de 200 líderes sociais foram assassinados em 2018, incluindo na Colômbia (126), México (48), Guatemala (26) e Honduras (oito).

A ação de protesto foi coorganizada por associações como o Coletivo Andorinha, a SOS Racismo, a Greve Climática Estudantil, entre outras.