Este é o pior ano em prejuízos e ritmo de crescimento para a Uber desde 2017, ano em que começou a publicar resultados anuais. A empresa tecnológica que já foi o unicórnio (empresa avaliada em mais de mil milhões de dólares) mais valioso do mundo apresentou resultados trimestrais esta quinta-feira, com números recorde: 5,2 mil milhões de dólares (4,6 mil milhões de euros) em prejuízos no segundo trimestre do ano e o crescimento das receitas mais desacelerado de todos (14%) comparado ao ano anterior, segundo o The New York Times.

As compensações aos trabalhadores que derivaram da entrada em bolsa (IPO, na sigla inglesa) em maio de 2019 somaram 3,9 mil milhões de dólares (3,4 milhões de euros) e impactaram o valor total dos prejuízos. Mesmo que este valor fosse retirado das contas, os restantes 1,3 mil milhões de dólares (1,1 mil milhões de euros) de prejuízos representam quase o dobro do que foi registado no período homólogo — no segundo trimestre de 2018, os prejuízos da Uber totalizaram 878 milhões de dólares (784,5 milhões de euros).

Os resultados apresentados esta quinta-feira pela Uber também dão conta de uma subida de 147% nos custos da empresa — somaram 8,6 mil milhões de dólares (7,6 mil milhões de euros). As receitas da empresa liderada por Dara Khosrowshahi também subiram 14% para 3,1 mil milhões de dólares (2,7 mil milhões de euros) no último trimestre.

Os prejuízos cada vez maiores também fazem crescer as preocupações dos acionistas e dos executivos da gigante norte-americana, da qual se chegou a esperar uma avaliação de 120 mil milhões de dólares (107,2 mil milhões de euros) aquando da entrada em bolsa (IPO, na sigla inglesa).

A Uber vai agora apostar no segmento da entrega de refeições ao domicílio. Os lucros brutos — ou seja, antes de pagarem as comissões aos motoristas da Uber Eats — cresceram 31% face ao mesmo período do ano passado. Já o número de utilizadores mensais ativos da Uber atingiu o recorde mundial de 100 milhões.