A ferrugem, fruto da oxidação do ferro, é um problema com que lidamos desde sempre. Independente da protecção, ou do tratamento que apliquemos na superfície, é certo que, mais cedo ou mais tarde, a ferrugem vai aparecer e dominar tudo, obrigando a novo investimento para nos vermos livres dela. Porém, este aparente mal está a ser convertido num bem precioso pelos cientistas da Caltech, o prestigiado Instituto de Tecnologia da Califórnia.

Descobriram os investigadores da faculdade norte-americana que a ferrugem pode ser a nova fonte de energia renovável. Surpreendentemente, é mesmo capaz de bater em eficiência os painéis solares, que se limitam a converter em energia eléctrica 20% da energia que recebem do sol – ainda há uma dezena de anos era 13%. Segundo os especialistas da Caltech, conseguem atingir 30%.

Como funciona?

O mais curioso é que solução encontrada pelos professores Tom Miller e Franz Geiger não recorre a qualquer reacção química para produzir energia. Apenas recorda a 3ª Lei de Newton – por qualquer acção, há sempre uma reacção igual e de efeito contrário – para gerar electricidade a partir de um fluxo de água salgada. O projecto da Caltech poderia ser realizado igualmente com um filme de grafeno, sobre o qual a água salgada se deslocasse. Mas o grafeno é caro e difícil de produzir em grande escala, ao contrário de uma placa de ferro oxidada.

Afirma Miller que os iões presentes na água salgada atraem os electrões do ferro sob a camada de ferrugem. À medida que a égua se desloca, também se movimentam os iões, arrastando consigo os electrões que provocam a desejada corrente eléctrica. O professor concluiu, das suas experiências, que quando um filme de água salgada se desloca sobre uma peça de ferro oxidada, “gera várias dezenas de milivolts”. Os protótipos testados provaram que uma placa de ferro com 10 m2 consegue produzir vários kW por hora. Veja aqui como tudo funciona.

Fim das baterias dos pacemakers?

Além de construir painéis mais eficientes que os actuais painéis solares, a Caltech pretende ainda resolver o problema da energia necessária para alimentar os implantes que introduzimos no nosso corpo, como acontece com os pacemakers.

Tradicionalmente, uma bateria de um destes regularizadores do coração humano tem energia para 6 a 8 anos, mas a sua substituição é sempre um problema. Acreditam os cientistas da Califórnia que, como o sangue humano é maioritariamente constituído por água, e salgada, muito similar à água do mar, será possível recorrer à mesma tecnologia para gerar energia para alimentar o sistema.

Não se pense que alguém vai introduzir uma placa de ferro enferrujado no corpo de paciente, pois equivaleria a não morrer da doença mas sim da cura. Contudo, acredita-se que não será difícil para os técnicos da Caltech encontrar uma solução que, em termos médicos, seja viável.