O Presidente norte-americano Donald Trump terá falado em várias ocasiões sobre a possibilidade de os Estados Unidos comprarem o território da Gronelândia ao governo dinamarquês, em parte devido aos recursos naturais disponíveis na ilha e também pela posição relevante daquela zona no Ártico.

A notícia foi avançada pelo Wall Street Journal esta quinta-feira e confirmada junto de várias fontes por outros órgãos de comunicação social. De acordo com o jornal, o Presidente já terá falado do assunto várias vezes em reuniões e jantares e terá mesmo pedido à equipa legal da Casa Branca para investigar o assunto.

Uma fonte revelou ao Wall Street Journal que, na passada primavera, Trump falou sobre o assunto num jantar com vários convidados. “O que é que acham disso? Ia resultar?”, perguntou à mesa. A mesma fonte admitiu que o tom da conversa parecia ser de piada, mas a CNN também confirmou que o Presidente pediu opinião aos advogados da presidência.

O New York Times explica que uma das razões por trás do interesse de Trump é o facto de a Gronelândia ser rica em recursos naturais como carvão e urânio. Contudo, a equipa do Presidente considera que não seria possível os EUA adquirirem a ilha. Apesar disso, garante o jornal, prometeram a Trump que irão investigar essa possibilidade.

A Gronelândia é um território autónomo da Dinamarca onde se situa a base militar norte-americana mais a norte do mundo, a base de Thule. Ali, explica a CNN, há um radar com sistema de deteção de mísseis balísticos com um alcance de milhares de quilómetros.

A concretizar-se, não será, no entanto, a primeira vez que os EUA tentam comprar a Gronelândia. Em 1946, o Presidente Harry Truman tentou oferecer 100 milhões de dólares ao Governo da Dinamarca em troca da ilha, mas a proposta não foi aceite. Tambén não será a primeira vez que os EUA comprarão um território, como relembra o The Guardian: foi o caso das Ilhas Virgens, adquiridas precisamente à Dinamarca.

No país, as reações ao interesse de Trump não têm sido muito entusiastas. Uma dos deputados do Parlamento dinamarquês eleita pelo círculo da Gronelândia, Aaja Chemnitz Larsen, reagiu às notícias rejeitando por completo essa hipótese: “Digo ‘não, obrigada’ aos americanos comprarem a Gronelândia à Dinamarca”, afirmou, de acordo com a edição dinamarquesa do The Local.

Também é importante dizer que a Gronelândia não é um bem que pode simplesmente ser vendido. A Dinamarca não pode simplesmente avançar e fazer isso”, declarou a deputada da Gronelândia.

Lars Lokke Rasmussen, ex-primeiro-ministro do país, disse que tudo parecia uma “piada do Dia das Mentiras”.

Também o antigo ministro dos Negócios Estrangeiros Martin Lidegaard declarou à Reuters que a Dinamarca não pode vender a Gronelândia “como uma velha potência colonial”. Apesar disso, apontou a relevância da região no Ártico como um ponto importante para os norte-americanos: “Aquilo que podemos levar a sério é que o interesse norte-americano pelo Ártico está a aumentar e eles querem ter uma influência maior.”

Donald Trump vai visitar a Dinamarca em setembro. O Ártico está na agenda, mas oficialmente não há qualquer conversa prevista sobre uma possível venda da Gronelândia.