Uma nova ronda de tarifas aos produtos chineses que entrem nos Estados Unidos e vice-versa entrou em vigor na madrugada deste domingo, em mais um passo da guerra comercial que tem vindo a opor os dois países.

Se, por um lado, o petróleo norte-americano passa a ter de pagar uma taxa de 5% para entrar em território chinês, vários bens — desde sapatos até produtos como fraldas ou fósforos — de fabrico chinês passam a pagar taxas de 15% para entrar nos Estados Unidos. Ao todo, são importações num valor superior a 100 mil milhões de euros, segundo o The Guardian.

A medida inclui apenas metade dos produtos previstos inicialmente como sendo abrangidos pelas tarifas norte-americanas. Contudo, numa ação para não “arruinar o Natal”, a Casa Branca optou por aplicar taxas a produtos como telemóveis, computadores e brinquedos apenas a partir de 15 de dezembro.

A medida, como relembra a BBC, pode resultar num aumento dos preços para os consumidores norte-americanos, como já adiantaram algumas empresas. As fabricantes de sapatos Nike e Converse, por exemplo, dizem que as tarifas podem levar a um aumento dos preços.

O Presidente norte-americano, Donald Trump, tem reforçado que a China é que irá pagar por essa diferença do preço, não explicando contudo como. Esta sexta-feira, Trump não confirmou se iria falar com o homólogo chinês, Xi Jinping, durante o fim-de-semana em que a medida iria entrar em vigor.

Do lado chinês a reação a estas tarifas tem sido intensa. Um editorial do Global Times, jornal do Partido Comunista Chinês, avisa que a administração norte-americana “deu um tiro no pé dos americanos”, segundo conta a Bloomberg. A Xinhua, agência de notícias estatal, fala nos Estados Unidos como sendo um “bully de escola”.

O Ministério do Comércio chinês declarou oficialmente que Estados Unidos e China deveriam “estar a discutir o cancelamento de tarifas a bens chineses no valor de 550 mil milhões de dólares [500 mil milhões de euros] e a impedir uma escalada da guerra comercial”, de acordo com a CNN. Os dois países têm mais reuniões alinhavadas para setembro, mas os pormenores dos encontros não são conhecidos.