O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, defendeu esta terça-feira que o aumento da produção nacional “é uma questão vital para o futuro”, afirmando que o Governo “não fez o suficiente” contra o défice agroalimentar.

Hoje temos problemas de fundo, problemas estruturais que precisam de respostas estruturais. Esta questão da produção nacional pressupõe as ajudas devidas aos produtores, aos agricultores, em que é preciso, por exemplo, combater o défice agroalimentar. Nós continuamos a importar 800 milhões de euros em cereais. Em relação a um setor onde éramos autónomos e autossuficientes, como o leite, hoje já não somos”, advertiu Jerónimo de Sousa.

O líder comunista falava aos jornalistas na Festa das Vindimas, em Palmela, no distrito de Setúbal, depois de percorrer alguns dos espaços dos produtores de vinhos da região, sublinhando que “um país que não produz é um país condenado”.

“Este [concelho] é um exemplo das possibilidades e das potencialidades que o nosso país tem de desenvolvimento económico nesta área dos vinhos, muitas vezes classificados como os melhores do mundo e, por isso, esta nossa proposta do aumento da produção nacional como uma questão vital para o futuro que aí vem”, explicou.

Jerónimo de Sousa confessou que o propósito desta visita era vivenciar o ambiente e conhecer os produtos típicos da Festa das Vindimas, e, quando questionado pelos jornalistas, referiu que o atual Governo, liderado pelo socialista António Costa, não fez o suficiente pela produção nacional.

“Tem vindo a haver sucessivo abandono de muitas terras produtivas, com todas as consequências que tem, designadamente o drama dos incêndios. Então, nós dizemos com segurança que o Governo não fez o suficiente tendo em conta este problema do défice agroalimentar, energético, do défice demográfico, que se resolve aumentando a produção nacional”, declarou

Nesta visita, o secretário-geral do PCP indicou, sem querer desvalorizar os debates televisivos, que é “neste contacto humano” que se sente mais à vontade, com os camaradas e amigos que “estimulam e dão mais confiança para as eleições de 6 de outubro”.