Alfredo, o homem que no passado domingo, dia 8, terá atraído Maria Antónia Pinho, uma freira, de 61 anos, a sua casa, em São João da Madeira, para a matar e violar, tinha um mandado de detenção em seu nome há cinco dias — que nunca chegou a ser executado.

Depois de cumprir parte de uma pena de 16 anos por dois crimes de violação, “Tito”, como era conhecido, estava em liberdade condicional desde maio. Em agosto terá atacado e tentado violar uma rapariga de 20 anos, no Lugar de Parrinho, também em São João da Madeira, mas terá sido interrompido por um transeunte. Apesar de na altura ter fugido, Alfredo terá sido identificado pela PSP que, a 30 de agosto, solicitou ao Ministério Público (MP) mandados de busca e detenção em seu nome.

Foi a própria Procuradoria-Geral da República quem confirmou ao Jornal de Notícias, que esta terça-feira avança a informação: “O MP promoveu a busca e emitiu o mandado de detenção no dia 3 de setembro [terça-feira], tendo remetido o processo ao juiz de Instrução”. O que significa, explica o diário, que em vez de ordenar a execução imediata do mandado, o MP de São João da Madeira optou por endereçar o processo ao juiz de instrução criminal da Feira, a quem pediu um mandado adicional de buscas à casa do suspeito — que também teria sido indiciado pelo roubo de um telemóvel.

O mandado de busca seria emitido três dias depois, na sexta-feira, 6. Só seria executado depois de Maria Antónia Pinho ter sido encontrada morta, este domingo, na casa de Alfredo, entretanto detido.

Apesar de estar registado no Trilho, a associação de apoio a toxicodependentes da Santa Casa da Misericórdia local onde Maria Antónia Pinho fazia voluntariado, Alfredo nunca chegou efetivamente a ser lá acompanhado — “Marcou cá três atendimentos, mas faltou sempre”, disse fonte da associação ao JN.

No passado domingo, o ex-recluso terá atraído a freira a sua casa, para lhe oferecer um café, como agradecimento por uma boleia de carro. Maria Antónia Pinho, a Irmã Tona, como se auto-denominava, era conhecida em São João da Madeira por ser “radical” e andar sempre de mota. Tinha 61 anos, só tirou a carta de condução aos 58.