A revista alemã Manager Magazin (MM), muito popular entre os mais poderosos CEO do país, publicou um artigo em que afirmava, baseada nas suas fontes, que Diess, o CEO do Grupo Volkswagen, compraria a Tesla caso tivesse oportunidade. O problema, afirmou então a MM, residiria no facto de o grupo ser controlado pela família Porsche, que não nutre grande “paixão” pelo fabricante americano. Daí que a compra, total ou parcial, fosse impraticável. Diess veio posteriormente negar o interesse, mas a MM nem sequer comentou o caso, o que só por si é estranho – em condições normais, o Grupo obrigaria a MM a retratar-se, caso fosse mentira. E agora, durante o Salão de Frankfurt, voltou à carga para tentar explicar o porquê de não querer comprar a marca norte-americana.

Diess começou por afirmar que “não pensaria em adquirir uma parte da Tesla”, para depois admitir: “Admiro o que a marca tem feito e isso tem puxado muito por nós.” Em relação aos veículos eléctricos de Palo Alto, o CEO confessou ainda que “são agradáveis e eu gosto muito de os conduzir”. Mas adquiri-los está fora de questão, por uma simples razão: “A Tesla está a fazer o que nós também podemos fazer.”

Foi-lhe igualmente pedida uma comparação entre as marcas do Grupo Volkswagen e a Tesla. A que Herbert Diess respondeu: “A longo prazo, acho que podemos ter uma pequena vantagem devido à escala. Na parte do hardware pode não haver uma grande diferença, pois eles também possuem uma plataforma própria e específica para eléctricos e já são bastante grandes para fabricante de veículos eléctricos.” Mas no que respeita ao software, “apesar de a Tesla ser forte”, o CEO acredita que o conglomerado germânico que lidera “tem a vantagem de fabricar 10 milhões de veículos e não apenas um milhão”. Isto num jogo em que o volume é determinante.

Na conversa com os jornalistas presentes, foi ainda solicitado a Diess que antevisse o futuro da Tesla. “Gosto muito da Tesla e de Elon Musk”, começou por declarar o CEO, realçando que lhes “deseja tudo de melhor e que atinjam em breve os lucros desejados”. A rematar, esclareceu que não acredita que a Tesla vá à falência, “tanto mais que agora está próxima dos lucros. O seu grande desafio é o desejo de alargar a gama de veículos, porque isso necessita de muito capital”.