Um dia depois de ter terminado o prazo indicativo para uma negociação exclusiva, e sem nenhum comunicado, saíram notícias sobre a evolução do negócio de compra da Media Capital pela Cofina. O Expresso adianta que esta aquisição por parte do dono do Correio da Manhã vai envolver outros investidores como Mário Ferreira, o empresário que opera barcos turísticos no Douro e que irá entrar no capital da Cofina.

Outro investir envolvido será o espanhol Abanca, que é atualmente acionista minoritário da Media Capital, uma empresa que é quase toda detida pelos espanhóis da Prisa, donos do El Pais.

O Eco avança também que a operação está no essencial fechada, mas falta finalizar os detalhes jurídicos da transação que envolverá o lançamento de uma oferta pública de aquisição (OPA) sobre a Media Capital. As duas publicações avançam com o mesmo valor de referência para a aquisição, 255 milhões de euros. A confirmar-se este valor é substancialmente inferior ao preço oferecido pela Altice pela Media Capital em 2018 de 440 milhões de euros. Esta operação foi chumbada pela Autoridade da Concorrência por causa do impacto negativo no mercado.  A compra da TVI pela dona do Correio da Manhã e da CM TV também terá de ir ao regulador da concorrência.

Já ao final da noite de sexta-feira, a Cofina em comunicado esclareceu que as negociações para uma potencial aquisição da participação da Prisa na Media Capital, “sem que exista qualquer acordo”. Num esclarecimento feito a pedido da Comissão de Mercado de Valores Mobiliários, a empresa adiantou que irá prestar ao mercado os esclarecimentos adicionais que se justifiquem face a quaisquer desenvolvimentos nas negociações com a Prisa

Em 14 de agosto, a Cofina tinha confirmado a existência de negociações exclusivas para a compra da Media Capital, tendo na altura sinalizado que as negociações iam decorrer durante 30 dias, prazo que chegou ao fim. Perante esta circunstância, associada às notícias agora divulgadas, o grupo liderado por Paulo Fernandes deverá prestar esclarecimentos sobre o ponto da situação do negócio antes da abertura dos mercados na próxima segunda-feira.

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Segundo o Expresso, a operação esteve para ser apresentada ainda esta semana, mas alguns acionistas da Cofina terão manifestado dúvidas sobre o financiamento da aquisição. Apesar de Paulo Fernandes ser o rosto do grupo, a empresa de media é controlada por mais quatro acionistas com participações relevantes e é provável que a compra da dona da TVI tenha de ser financiada também com um aumento de capital, para além do recurso a financiamento bancário.

Contactada pelo Observador, fonte oficial da Cofina não fez, para já, comentários às notícias.

Atualizado às 9h00 de sábado com comunicado da Cofina.