O Partido Democrático Republicano (PDR) avançou esta quarta-feira, em Lisboa, com a recolha de 60 mil assinaturas para pedir um referendo contra a construção do novo aeroporto no Montijo, no distrito de Setúbal.

“[Pedimos que] assinem o pedido de referendo que vamos iniciar a partir de hoje para que, com 60 mil assinaturas, obriguemos o Governo a retroceder na sua posição de construir o aeroporto do Montijo”, afirmou Bruno Fialho.

O cabeça de lista do PDR por Setúbal falava numa conferência de imprensa, na sede do partido, na capital portuguesa, acompanhado por Pedro Pardal Henriques, cabeça de lista pelo círculo de Lisboa.

Segundo Bruno Fialho, a escolha Montijo para a expansão do Aeroporto Humberto Delgado não favorece os interesses do país, apenas beneficia “os interesses de um grupo francês [Vinci]”, dona da ANA — Aeroportos de Portugal, no que considerou ser uma medida “antipatriota”.

“Apenas este referendo poderá travar os enterros de um Governo que está mais interessado em dar milhões [de euros] a um grupo francês, Vinci, do que construir hospitais no interior do país, acabar com o pagamento de portagens nas Scuts [portagens sem custos para o utilizador] e dar melhores condições de vida aos portugueses”, acusou Bruno Fialho.

Por seu lado, Pedro Pardal Henriques acusou o Governo de “mentir aos portugueses” por querer construir o aeroporto no Montijo e não noutro local, como em Alcochete.

“É por questões como esta, questões que estão por trás da decisão do Governo, de mentir e querer fazer forçadamente o aeroporto no local [Montijo] que vai prejudicar todos os portugueses com o erário público e que vai trazer um crime contra o ambiente, aceitámos ser candidatos pelo PDR”, realçou Pardal Henriques.

Na conferência de imprensa, o advogado, que foi porta-voz do Sindicato Nacional de Motoristas de Matérias Perigosas, referiu ainda que a construção do aeroporto do Montijo “é crime” e uma “injustiça que está a ser feita a todos os portugueses”.

No entanto, para Pardal Henriques, caso o PDR consiga eleger deputados, “será uma voz que defenda os trabalhadores dentro da Assembleia da República”, acusando “os partidos de esquerda” de não o fazerem.