Pedro Pablo Pichardo, Nelson Évora, Patrícia Mamona, Susana Costa, Evelise Veiga. Portugal chegou aos Mundiais de atletismo em Doha com uma das delegações mais pequenas das últimas edições mas com a maior “comitiva” de sempre nas provas de triplo salto. No setor masculino, Pichardo ficou apenas a quatro centímetros da medalha de bronze, ao passo que Nelson falhou a qualificação para a final. Seguia-se a prova feminina, com três atletas (um número recorde) em busca de uma vaga na fase decisiva de sábado. E uma prova “diferente”.

Comparando com aquilo que se passou sexta-feira e domingo na competição masculina do triplo salto, havia desde logo uma diferença: se de um lado eram conhecidos os principais favoritos numa luta mais “fechada” entre os dois americanos que têm dominado a especialidade e mais três/quatro atletas em busca de um lugar no pódio (e foi isso que aconteceu, da teoria para a prática), o quadro feminino apresentava-se de forma bem mais aberta, com várias atletas capazes de ocupar as 12 vagas de acesso à final – mesmo com a venezuelana Yulimar Rojas como principal referência, até por ter sido a única este ano a passar os 15 metros (15.41, um recorde pessoal).

Depois, um outro ponto que aumentava a dificuldade das três portuguesas em ação: se em termos europeus só havia duas atletas com melhores marcas este ano do que Patrícia e Susana (a espanhola Ana Peleteiro e a ucraniana Olha Saladukha), olhando para o quadro das 28 participantes na qualificação esse número aumentava de forma exponencial, com nove marcas acima dos 14.44 de Patrícia Mamona – marca conseguida em pista coberta em Madrid, em fevereiro (14.37 ao ar livre). Também por aqui se via as dificuldades nesta fase de apuramento, também aqui se levantava um desafio não só para a recordista nacional mas também para Susana Costa (14.43, em pista coberta, 13.99 ao ar livre) e Evelise Veiga (14.32), que chegavam a Doha com recordes pessoais feitos em 2019.

Logo na primeira tentativa, a jamaicana Shanieka Ricketts (14.42) e a americana Keturah Orji (14.30) asseguraram a marca mínima de qualificação, seguindo-se no segundo salto a colombiana Caterine Ibarguen (14.32). Entre as atletas portuguesas, Patrícia Mamona tinha como melhor registo 14.21 (a segunda tentativa foi quase “falhada”, com 11.95), ao passo que Evelise Veiga conseguiu subir de 13.48 para 13.89 e Susana Costa mantinha o 13.71. A margem para a última tentativa não era fácil mas os resultados não estavam a ser os mais elevados, o que abria possibilidades a todas as saltadoras nacionais de poderem ainda garantir um lugar na final de sábado.

A experiente Olha Saladukha conseguiu alcançar a qualificação direta ao terceiro salto com 14.32, um pouco antes de Patrícia Mamona fazer mais uma boa tentativa mas que se ficou pelos 14.18. Também Evelise Veiga não fez melhor do que os 13.89 no derradeiro salto (13.58), ficando assim afastada da final mesmo com o ligeiro atraso que havia entre o grupo A, onde se encontrava, e o grupo B. E Susana Costa seguiu essa tendência, subindo de 13.71 para 13.77 mas ainda longe do registo que pudesse valer o apuramento para a final. Nos derradeiros saltos, Yulimar Rojas chegou aos 14.31 para assegurar também qualificação direta, Susana Costa não chegou aos 14.12 que lhe podiam ter valido a entrada nas 12 melhores marcas e não houve mais nenhuma alteração na classificação.

Campeã europeia em 2016 e vice-campeã europeia em 2012, Patrícia Mamona (além de ter ganho uma prata nos Eruopeus de Pista Coberta, em 2017) volta a uma final do Campeonato do Mundo com o objetivo de melhorar o nono lugar alcançado em Londres há dois anos, naquele que foi o seu melhor resultado na competição depois de duas participações em que ficou pelo apuramento (2011 em Daegu e 2015 em Pequim, tendo ainda uma quarta posição no Mundial de Pista Coberta de 2014, na cidade polaca de Sopot).

Além de Patrícia Mamona, que acabou com a décima melhor marca do apuramento (14.21), estarão na final de sábado ao final do dia Shanieka Ricketts (Jamaica, 14.42), Caterine Ibarguen (Colômbia, 14.32), Olha Saladukha (Ucrânia, 14.32), Yulimar Rojas (Cuba, 14.31), Keturah Orji (Estados Unidos, 14.30), Kristiina Mäkelä (Finlândia, 14.26), Rouguy Diallo (França, 14.25), Ana Peleteiro (Espanha, 14.23), Tori Franklin (Estados Unidos, 14.23), Kim Williams (Jamaica, 14.20) e Andreea Panturoiu (Roménia, 14.12).