Um homem de 47 anos, professor de inglês no ensino primário, está a ser acusado pelo Ministério Público de ter abusado sexualmente de 26 meninas entre os oito e os nove anos num colégio em Setúbal, noticia o Correio da Manhã. O professor foi detido em outubro de 2017, mas colocado em liberdade por estar desempregado e não visitar aquela cidade regularmente, entendeu o juiz. O Ministério Público, que pediu a prisão preventiva, recorreu. E o professor acabou em prisão domiciliária com pulseira eletrónica desde março deste ano.

De acordo com o Correio da Manhã, os crimes ocorreram durante o ano letivo 2016/2017. O homem aproveitava as aulas de inglês e o recreio para atacar as crianças, colocando as mãos “sobre ou no interior da roupa”, realizando “movimentos de fricção”, “tocando e acariciando” o peito, costas, barriga e nádegas das meninas. Segundo o Ministério Público, que adjetiva de “perigoso” este professor, o homem preparava-se para “escalar a gravidade dos abusos sexuais cometidos”.

Em buscas feitas pela Polícia Judiciária à casa onde o homem residia, na Costa da Caparica, as autoridades encontraram gravações de meninas a brincar na praia que o homem captava a partir da janela da habitação. O professor também mantinha vídeos de crianças em piscinas públicas durante eventos desportivos preparados pela escola, explica o Correio da Manhã.

O alerta para os abusos foi dado pelos encarregados de educação dos alunos de três turmas — duas do 3º ano e uma do 4º —, que dizem ter ouvido “relatos estranhos” vindos dos filhos, avança o mesmo jornal. Numa carta enviada aos pais, a direção da escola garante nunca ter tomado conhecido dos crimes alegadamente cometidos pelos professor de inglês, que foi afastado de funções para “proteger as alunas, apesar de os factos não estarem comprovados”.

A Polícia Judiciária já ouviu as vítimas e entrevistou também outros colegas das raparigas — alguns dos quais assistiram aos crimes —, que não terão de comparecer tribunal. Outras 17 pessoas vão testemunhar contra o homem em tribunal. Segundo o Correio da Manhã, as autoridades procuraram averiguar se o professor tinha cometido estes crimes noutras escolas onde lecionou no passado, mas a acusação não refere qualquer informação sobre essas diligências.

Quantos às gravações encontradas pela polícia na casa do homem, o Ministério Público arquivou o caso porque “o ilícito depende de queixa do ofendido”: “Caso essa queixa não exista, carece o Ministério Público de legitimidade para procedimento criminal”.