Patrícia Gaspar vai ser a secretária de Estado da Proteção Civil do próximo governo socialista, avança o Jornal de Notícias. A porta-voz da Autoridade Nacional da Proteção Civil — e 2.ª Comandante Nacional do Comando Nacional de Emergência e Proteção Civil da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) — foi escolhida por António Costa e pelo ministro que tutela a Proteção Civil, Eduardo Cabrita, acrescenta o JN.

A futura governante, que chegou a ser também Comandante Operacional Distrital de Setúbal, assumiu um papel de destaque na Proteção Civil nos últimos anos, tendo ficado por exemplo com a responsabilidade do comando do incêndio de Monchique, em agosto do ano passado.

A influência de Patrícia Gaspar na Proteção Civil, no entanto, é mais antiga e ainda mais abrangente do que a sua notoriedade pública indiciam. Em agosto, era assim descrita por quem a conhecia, ao Observador: “Dedicada, profissional, responsável, focada, bem preparada” e com um perfil militar que provirá em parte da educação familiar, já que o pai, Álvaro Gaspar, estudou na Escola Naval e foi contra-almirante.

Passou pelas Secretas e pela Marinha antes de seguir carreira na Proteção Civil e ganhou “calo político” (e público) na relação com a comunicação social, quando se tornou responsável pelos briefings da Proteção Civil em altura de incêndios. Ao longo da carreira profissional, somou distinções entregues por chefes militares, por diferentes dirigentes da ANPC, por secretários de Estado e por ministros.

Em agosto deste ano, em entrevista à Rádio Observador, resumia a evolução do trabalho e mediatismo da Proteção Civil nos últimos anos: “Quando entrei para a Proteção Civil no ano 2000, não era tema de batalha, não era um assunto corriqueiro. A Proteção Civil veio um bocadinho para a ordem do dia, fruto daquilo que foi também o verão de 2003, absolutamente complexo e com impacto grande na vida dos portugueses e a partir daí tem vindo em crescendo. E, portanto, a Proteção Civil tem tido uma dimensão e tem ganho um palco na esfera política, na esfera social, na esfera do país que não tinha no passado”. Agora, a antiga porta-voz da organização prepara-se para assumir funções políticas na mesma, enquanto secretária de Estado.