Donald Trump não perde uma oportunidade de demonstrar que domina na perfeição as trocas comerciais que o seu país mantém com a Europa, contra quem mantém um certo clima de guerra comercial. Segundo o Automotive News, na passada semana o presidente americano queixou-se mais uma vez das barreiras comerciais e dos impostos que os europeus colocam à travessia do Atlântico de “produtos agrícolas americanos”, ao contrário do que acontece com os veículos fabricados no Velho Continente e que se destinam aos EUA. Deu mesmo como exemplo “os Mercedes, BMW, VW e Renault, no caso dos franceses”. Ora, sucede que a Renault desistiu do mercado americano há 30 anos.

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Além de ter pronunciado mal a palavra Renault, o que se aceita uma vez que se trata de um construtor de automóveis de que não se fala naquele país há três décadas, Trump esqueceu-se que os últimos veículos exportados de França para os EUA remontam aos anos 80, no período do R5, sendo que à época a marca francesa produzia automóveis na América. Mais precisamente, uma versão do R9 denominada Alliance (que teve mesmo direito a uma versão cabrio), numa parceria com os americanos da AMC, através da fábrica de Kenosha, no Wisconsin.

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Além de ter terminado com a sua presença nos EUA em 1990, a Renault não tem qualquer projecto de regressar àquele enorme mercado (afirmou Ghosn em 2017), tendo os seus responsáveis admitido que o mercado é muito competitivo, pelo que era preferível apostar na China e Rússia.

Quem ainda não exporta para o EUA mas está desejosa de o fazer é a Peugeot, tendo sido esta a marca eleita pela PSA para representar ali o grupo francês. Contudo, o processo de homologação de veículos para aquele mercado é tão complexo quanto moroso, pelo que é natural que ainda decorram alguns meses até que o primeiro modelo da marca do leão circule por aquelas bandas.