Dois médicos e uma enfermeira estão acusados pelo Ministério Público (MP) do crime de ofensa à integridade física por negligência, segundo a SIC Notícias e o Jornal de Notícias. O caso remonta a 16 de fevereiro de 2017, quando Cláudia Costa, grávida de 37 semanas, teve de esperar quase hora e meia no Hospital da Guarda para ser observada, acabando por perder a bebé.

A mulher deu entrada na Unidade Local de Saúde (ULS) da Guarda com uma pequena perda de sangue, pelas 9h30. Segundo o Ministério Público, a enfermeira de serviço procedeu ao registo tocográfico e percebeu que os batimentos cardíacos do feto eram fracos, mas, devido à ausência de médicos, apenas transmitiu a informação às 10h23 à obstreta que entretanto regressou ao serviço. O MP considera que a enfermeira não telefonou a nenhum dos dois médicos de serviço, como devia ter feito, e, por isso, foi também constituída arguida.

Quando tomou conhecimento do caso, a obstetra ligou ao colega que tomava o pequeno-almoço, pedindo que avaliasse uma outra grávida que chegou depois de Cláudia Costa e que aguardava na sala de espera. Pouco depois, Cláudia sentia uma dor aguda seguida de hemorragia. Só às 10h50 foi observada pelo médico, tendo sido confirmada a morte da bebé.

Segundo o MP, Cláudia “sofreu um tempo de espera excessivo (…) sem que fosse sujeita a uma adequada monitorização e vigilância durante o tempo de espera, o que inviabilizou a realização de uma cesariana de urgência que teria salvo a vida do feto e, por essa via, a integridade física e a saúde da assistente”.

Na acusação, o Ministério Público conclui ainda que “o feto estava vivo pelas 9h50 do dia 16/02/2017, tal como é objetivado no registo tocográfico realizado naquele momento com batimentos cardíacos entre os 120 e os 100 por minuto”.