O ano de 2019 registou um recorde de investimento no setor tecnológico em Portugal, muito devido à OutSystems e ao investimento de 340 milhões de euros que recebeu. Este ano, o país desceu de 6º para 19º (em 20) no investimento em startups, mas Portugal está a crescer como um centro “deep tech” (empresas com grande potencial disruptivo e de inovação). Houve 89 milhões de euros de financiamento em 2019, mais do que nos últimos cinco anos juntos. As conclusões são do relatório Estado da Tecnologia Europeia 2019 da Atomico, em parceria com a Slush e a Orrick, revelado esta quarta-feira. O estudo destaca ainda “mais um ano recorde para a tecnologia europeia”.

Mesmo tendo o investimento decrescido em relação a 2018, os números são semelhantes a 2017 e bastante positivos: ao todo, houve cerca de 141 milhões de euros de investimento. Contudo, e olhando para o estudo elaborado pela Atomico, empresa de investimento em tecnologia, a Slush, o concorrente nórdico da Web Summit, e a Orrick, escritório internacional de advogados, estes resultados são pequenos em relação ao financiamento total de 26 mil milhões de euros totais na Europa.

À semelhança daquilo que aconteceu em 2018, a Atomico foca parte do estudo na diversidade do setor tecnológico, mas as notícias para Portugal ainda não são as mais favoráveis: “Em Portugal e Espanha, 92% do financiamento foi totalmente para equipas masculinas”.

Ainda relacionado com Portugal, em 2019, calcula-se que existam 7961 programadores e 4299 investigadores de desenvolvimento em tecnologia por cada milhão de habitantes. O relatório demonstra também que 2019 é o ano em que a tecnologia ocupa um lugar de destaque na economia europeia. Apesar de os números serem altos, a Europa ainda fica (bastante) atrás da Ásia, com 62.5 mil milhões de euros em investimento, e dos EUA, com 116.7 mil milhões.

A variação ao longo dos anos no investimento no mercado tecnológico na Ásia, EUA e Europa desde 2015

Deste investimento no setor tecnológico na Europa, a maior parcela de capital — 9071 mil milhões de euros — foi para investimento no setor fintech [startups de tecnologia financeira], seguindo-se o setor de software para negócios, com 7505 mil milhões. Ainda no cenário europeu, mesmo com o Brexit, a capital do Reino Unido, Londres, mantém-se como a principal cidade para startups, seguindo-se Paris.

Atualmente, existem pelo menos 174 empresas de tecnologia europeias que chegaram a uma avaliação superior a mil milhões de dólares, que permite que sejam definidas como “unicórnio”. Antes de 2010, esse número era de apenas 13.