O Governo português defendeu esta quinta-feira um “desenvolvimento em paralelo” e uma “grande coerência” entre a Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO) e a União Europeia (UE) para evitar “contradições e tensões entre os dois” na defesa.

“Há 22 Estados-membros da UE que também são membros da NATO. Temos aqui uma grande sobreposição e, portanto, um dos aspetos que é fundamental é que o raciocínio para o desenvolvimento da NATO avance em paralelo com o desenvolvimento da UE para evitar contradições e tensões entre os dois”, declarou esta quinta-feira o ministro da Defesa Nacional, João Gomes Cravinho, em Bruxelas.

Falando aos jornalistas no final da Conferência Anual da Agência Europeia de Defesa e a poucos dias da reunião de líderes da NATO que se realiza em Londres na terça e quarta-feira para assinalar o 70.º aniversário da Aliança Atlântica, o governante observou que “Portugal é um país profundamente transatlântico, mas ao mesmo tempo sem qualquer ambiguidade em relação à sua pertença à UE”. “A nós interessa-nos que haja uma grande coerência e complementaridade” entre a NATO e a UE, reforçou João Gomes Cravinho.

Já falando sobre a reunião de líderes da organização fundada em 1949 e que tem sido fortemente criticada pelo presidente francês, Emanuel Macron, o governante português notou que “as discussões dos tempos mais recentes no seio da NATO levam a prever uma cimeira que seja, essencialmente, celebratória”.

“Claro que quando celebramos sete décadas estamos também a olhar para o futuro e a pensar quais são os ingredientes necessários para que os próximos tempos tenham tanto sucesso como as últimas décadas”, referiu.

João Gomes Cravinho admitiu ter havido recentemente “alguma turbulência” no seio da organização transatlântica, mas vincou que “isso deve ser visto com normalidade e no contexto de sete décadas”.

É a espuma dos nossos dias, mas devemos lembrar que o que interessa à NATO não é o que foi dito nas últimas semanas”, sintetizou, salientando que a organização “permanece uma pedra fundamental na arquitetura de segurança para a UE e para os países europeus como Portugal”.

No início deste mês, o Presidente francês, Emmanuel Macron, considerou em entrevista à revista britânica The Economist que “a NATO está em morte cerebral” e disse ser necessário desenvolver uma defesa europeia autónoma.

Presidente francês diz que NATO está em “morte cerebral” e Europa está em risco

Já na semana passada, o chefe da diplomacia alemã, Heiko Maas, propôs aos seus homólogos na NATO a criação de um comité de peritos para revitalizar o “debate político” e “desenvolver uma visão comum”, de forma a “recuperar a confiança” entre os aliados. A proposta foi encarada como uma clarificação da posição de Berlim perante as declarações de Paris.

Aludindo a tais declarações, João Gomes Cravinho referiu que “o objetivo do Presidente de Macron […] foi o de forçar que houvesse alguma reflexão e, de algum modo, isso tem acontecido”.

O que queremos é encontrar os mecanismos apropriados para que o desenvolvimento de uma identidade europeia de defesa aconteça de forma a reforçar o pilar europeu da NATO e não de uma maneira que possa ser contraditório ou gerador de tensões”, adiantou.

O encontro desta quinta-feira, em Bruxelas, juntou representantes dos Estados-membros e do setor da Defesa num debate sobre como “Levar a cooperação europeia no domínio da Defesa para o próximo nível: perspetivas para a próxima década”.