A série Maria’s Portuguese Table, criada pela luso-americana Maria Lawton e primeiro programa de culinária portuguesa em inglês a chegar à televisão norte-americana, vai ter uma segunda temporada de dez episódios.

Com orçamento global de 600 mil dólares (539,5 mil euros), ou 60 mil dólares (53,9 mil euros) por episódio, a segunda temporada terá cinco episódios nos Açores, passando pela Terceira, Faial, Pico, São Jorge e Graciosa, e cinco episódios nos Estados Unidos, com Cambridge (Massachusetts), Nova Jersey e Nova Iorque no guião.

A chef, que contará novamente com a produtora Cineasta Digital do lusodescendente Dean Câmara para a realização da segunda temporada, está também a ponderar a hipótese de filmar no Havai, onde a influência da diáspora portuguesa na culinária continua a ser sentida.

“A nossa comida tem muita história”, disse à Lusa Maria Lawton, que passou dez dias nos Açores em novembro. “Na Terceira, por exemplo, há muitas influências mouriscas, flamengas e outras, e percebe-se que há história em cada refeição”.

A decisão de avançar para uma segunda temporada, depois de a primeira ter tido sucesso na cadeia de televisão pública PBS, foi tomada porque a luso-americana considera haver ainda muitas histórias para contar.

Há mais para fazer e mostrar e vou dar o meu melhor para que aconteça. Porque tenho muito orgulho de tudo, de quem somos como portugueses”, sublinhou. O início das filmagens deverá acontecer nos Açores depois do verão de 2020, altura em que Maria Lawton calcula ter já metade do orçamento necessário disponível. A chef irá também, nessa altura, liderar duas viagens aos Açores organizadas pelo clube da PBS Rhode Island, uma iniciativa que surgiu por causa do feedback que a estação recebeu ao passar a série.

“A PBS disse que os telefones não pararam de tocar desde que o programa foi para o ar e já repetiram a transmissão da série pelo menos quatro vezes”, explicou. Maria’s Portuguese Table também chegou ao vale central da Califórnia com a PBS local e vai estrear na PBS em Buffalo, Nova Iorque, em 13 de janeiro.

A recetividade do público levou também a autora a criar uma versão da série em DVD, que estará disponível na Amazon a 29 de janeiro por 49,99 dólares. Além disso, Maria Lawton está em conversações com os serviços de streaming, sendo possível que o programa chegue ao Amazon Prime no início de 2020.

Referindo que o feedback dos luso-americanos foi “muito positivo”, o que mais surpreendeu a chef foi a reação dos que não têm ligação à comunidade, dos quais ouviu “coisas incríveis” porque “não conheciam a beleza dos Açores”.

No voo para o arquipélago em novembro, contou Maria Lawton, dois casais abordaram-na e disseram que estavam a fazer a viagem por causa da série, e a chef ouviu uma história semelhante com uma família num restaurante nas Furnas.

Agora, a autora está à procura de mais patrocinadores, porque o tamanho e orçamento da segunda temporada são mais robustos, com dois episódios adicionais. “Fiz história e sei que tenho isso. Porque foi a primeira série de comida portuguesa e viagens na televisão americana”, salientou.

Se for possível, Maria Lawton disse querer fazer uma terceira e quarta temporadas, nas quais gostaria de ir ao Corvo, Flores e Santa Maria e depois a Trás-os-Montes, de onde saíram os seus antepassados.

Nascida em São Miguel, Maria Lawton emigrou com a família para os Estados Unidos aos seis anos de idade. Em 2014, publicou o livro de receitas “Azorean Cooking: From My Table to Yours”, um best-seller que lhe abriu as portas e precedeu o desenvolvimento da série televisiva. “Digo sempre que, para um país que descobriu o mundo, ainda somos um lugar que as pessoas estão a descobrir”, referiu, sobre a importância de mostrar o melhor da comida e dos portugueses. “Somos pequenos, mas poderosos”.