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Jesus, o Comendador. As ligações ao Infante D. Henrique, o convite aos presidentes, a paixão no Flamengo e o peso de uma medalha

Jorge Jesus foi condecorado esta segunda-feira por Marcelo Rebelo de Sousa com a Ordem do Infante D. Henrique. "É com orgulho que recebo, sei o significado dela", destacou o técnico do Flamengo.

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Jorge Jesus foi condecorado por Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente da República, com a Ordem do Infante D. Henrique

João Pedro Morais/OBSERVADOR

Jorge Jesus foi condecorado por Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente da República, com a Ordem do Infante D. Henrique

João Pedro Morais/OBSERVADOR

“Distinguir serviços relevantes a Portugal, no País e no estrangeiro, assim como serviços na expansão da cultura portuguesa ou para conhecimento de Portugal, da sua História e dos seus valores”. É desta forma que se explica a atribuição da Ordem de D. Infante, uma das mais relevantes distinções. E foi por isso que, esta segunda-feira, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, recebeu no Palácio de Belém o treinador, Jorge Jesus, que “depois de importantes vitórias em Portugal, afirmou-se também no estrangeiro e, em particular no Brasil e na América Latina, com a vitória do Flamengo no ‘Brasileirão’ e na Taça dos Libertadores”.

Após ganhar em Portugal uma Intertoto pelo Sp. Braga em 2008 (um troféu que nem todos contabilizam mas que o técnico sempre fez questão que contasse no seu currículo), Jesus venceu dez títulos em seis anos na Luz a comandar o Benfica (três Campeonatos, uma Taça de Portugal, cinco Taça das Liga e uma Supertaça, além de ter atingido duas finais da Liga Europa consecutivas contra Chelsea e Sevilha) antes de se mudar para o rival Sporting, onde conquistou uma Taça da Liga e uma Supertaça em três temporadas. No final da época de 2018/19, o treinador teve a primeira experiência no estrangeiro, deixando o Al Hilal poucos meses depois com a equipa no comando do Campeonato e com a vitória na Supertaça da Arábia Saudita.

Seguiu-se o Brasil e o Flamengo, onde apenas um treinador português tinha passado: Cândido de Oliveira, uma das figuras mais importantes do futebol nacional no século XX, que além de ter sido selecionador comandou equipas como FC Porto, Sporting, Académica ou Belenenses além dos rubro-negros, em 1950. A “confirmação” chegou no dia 1 de junho, a apresentação foi apenas no dia 10 desse mês, a estreia demorou cerca de um mês e coincidiu com um dia caro aos portugueses e decretado por Éder como “é feriado car****”: 10 de julho, neste caso de 2019 e não se 2016, com o empate a um frente ao Athl. Paranaense numa partida a contar para a Taça do Brasil.

Curiosamente, essa acabou por ser a única competição que Jesus não ganhou em menos de seis meses no conjunto do Rio de Janeiro: após ser eliminado da Taça no desempate nas grandes penalidades diante do Athl. Paranaense, e de ter perdido por 2-0 na primeira mão dos oitavos da Taça dos Libertadores frente ao Emelec, o Flamengo deu a volta diante dos equatorianos, venceu a principal competição de clubes da América do Sul ultrapassando até à final com o River Plate os também brasileiros Internacional e Grémio e conquistou ainda o Campeonato recuperando de uma desvantagem de oito pontos para terminar com 16 (!) de vantagem sobre Santos e Palmeiras. Em paralelo, os rubro-negros bateram vários recordes como o número de pontos, golos marcados, maior diferença de golos, maior série de vitórias seguidas ou maior série de triunfos numa só edição a 20 equipas com duas voltas.

Foi neste contexto, e já depois de ter recebido a Medalha Tiradentes (destinada a premiar pessoas que prestaram relevantes serviços à causa pública do Estado do Rio de Janeiro) e a cidadania honorária do Rio de Janeiro, que Jorge Jesus foi recebido por Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente da República que abriu a sessão.

Marcelo Rebelo de Sousa destacou feitos de Jesus no Flamengo e num país onde se fala também português

João Pedro Morais/OBSERVADOR

“Esta casa tem algumas tradições. Todos os presidentes condecoraram treinadores portugueses de futebol com prestígio nacional e internacional, como Ramalho Eanes, Mário Soares, Jorge Sampaio ou Cavaco Silva. Depois, podem ser condecorados às suas carreiras e a vitórias obtidas em seleções nacionais ou clubes, sendo essas vitórias de renome internacional. Assim aconteceu no passado, assim vai acontecer hoje. Além da carreira conhecida, temos a condução de uma equipa para um triunfo numa prova continental e que levou à presença na final de uma prova mundial. Não sendo um clube português, fala português num estado irmão e isso é novo. Jorge Jesus contribuiu e contribui para reforçar o prestígio num país que nos é muito querido, o que dá densidade sabendo nós como muitos portugueses lá vivem e todos os que lá vivem falam português”, começou por referir, no ato que foi “numa linha de tradição” e que tinha condecorado técnicos como Carlos Queiroz, José Mourinho ou Manuel José também pelas vitórias alcançadas no estrangeiro entre Europa, África ou no plano mundial.

“É com orgulho que recebo esta condecoração. Sei o significado dela, sei bem quem é o Infante D. Henrique, porque todos os dias no Brasil tinha de atravessar a Avenida Infante D. Henrique. Daqui a 50 anos já não estarei cá mas sobre esta ligação histórica entre Portugal e o Brasil vão lembrar-se lá que foi um português que conquistou a Libertadores e o Brasileirão. Para mim, esta condecoração vai para além do futebol porque senti isso no Flamengo. Para além de estar a representar um clube, estava a representar o meu País e, quando subi ao pódio, lembrei-me de levar a bandeira de Portugal às costas. São dois países ligados pela história e culturalmente. Estou honrado, estou orgulhoso de ser português e vai ficar comigo em casa”, disse Jesus no discurso de agradecimento.

Entre os vários convidados do treinador, incluindo a seu lado a mulher, os três filhos, o irmão, os restantes elementos da equipa técnica no Flamengo e o advogado Luís Miguel Henrique, marcaram também presença na cerimónia nomes como Fernando Gomes (presidente da Federação), Pedro Proença (presidente da Liga), Manuel Sérgio (filósofo e o seu grande mentor de carreira – curiosamente o único que cumprimentou com dois beijinhos), José Pereira (presidente da Associação de Treinadores de Futebol), Luís Filipe Vieira (presidente do Benfica), Frederico Varandas (presidente do Sporting), António Salvador (presidente do Sp. Braga), Pimenta Machado (ex-presidente do V. Guimarães), Octávio Machado (amigo com quem trabalhou no Sporting) ou Júlio César (antigo guarda-redes no Benfica que reencontrou agora no Flamengo, ex-clube do internacional brasileiro).

“Saio daqui um bocadinho mais pesado, pelo peso da medalha! Foi uma condecoração diferente, foi no meu País, tem um significado diferente. D. Henrique não foi um navegador, foi um estratega, um bocado como são os treinadores. Além do orgulho e da honra, tem esse significado para mim. Se há uma vitória que tivemos no Brasil, importante, talvez essa do reconhecimento seja a mais importante, do povo português associar-se e partilhar as vitórias do Flamengo. Essa talvez seja a mais importante até do que as desportivas”, referiu depois às perguntas feitas pelos jornalistas presentes na sala. “Não poderia ter aqui todas as pessoas mas sei que chegámos onde chegámos com a ajuda de muita gente. Os que estavam mais perto de Lisboa procurei convidar, assim como os presidentes das federações, associações e ligas. Sem eles se calhar hoje não estava aqui”, acrescentou.

Luís Filipe Vieira, António Salvador e Frederico Varandas marcaram presença, Pinto da Costa não conseguiu comparecer (mas foi convidado)

João Pedro Morais/OBSERVADOR

“Dia 19 vamos regressar ao Rio de Janeiro, chegamos lá dia 20. Temos contrato até junho, mais seis meses de contrato e estamos felizes não só pelos resultados desta época que tiveram grande reconhecimento mas também porque há coisas que são tão ou mais importantes como a forma amorosa e apaixonada que os torcedores do Flamengo têm por nós. Não estava habituado a ter um estádio com 70 mil sempre cheio a gritar pelo nome e isso influencia muito mais do que qualquer questão financeira na minha decisão”, disse também sobre o futuro. “Também convidei o presidente do FC Porto para estar aqui mas ele não só fez ontem anos como está doente. Tem de haver rivalidade mas há um caminho no futebol e nós temos um futebol bonito, adeptos com um carinho e uma paixão muito grande pelo futebol. Temos de começar a comunicar em prol de um caminho novo. O futebol português tem um caminho lindo para percorrer, com jogadores e treinadores entre os melhores”, prosseguiu.

“O meu País vai estar sempre aberto. Vou regressar, um dia vou regressar, mas hoje está mais complicado, não tenho dúvidas nenhumas”, concluiu o treinador no momento das perguntas dos jornalistas.

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