“Diria que estou desiludido, desiludido por não termos identificado isto mais cedo e desiludido por não termos saído mais cedo”, admitiu esta segunda-feira em Davos Bob Moritz, CEO da PricewaterhouseCoopers (PwC), quando questionado sobre o escândalo Isabel dos Santos e o envolvimento da consultora com as empresas da filha do antigo presidente angolano José Eduardo dos Santos. “Não foi o nosso melhor momento, mas espero que possamos avançar rapidamente”, acrescentou.

Horas depois de ter sido divulgado o comunicado em que a PwC informou ter cessado todos os contratos de serviços que até então mantinha com as empresas da angolana, Moritz reforçou a posição da empresa e reiterou que está a decorrer, desde “antes das festas”, altura em que, diz, chegaram ao conhecimento da consultora os primeiros indícios de ilegalidades, uma investigação interna sobre o assunto.

À Associated Press (AP), já fora do palco do Fórum Económico Mundial, Moritz repetiu a mensagem e os termos: “Estou pessoal e tremendamente desiludido graças ao tipo de ligação que tínhamos e pelo facto de não termos saído dessa relação mais cedo. Mas estou grato por estarmos a sair agora.”

Apesar de se ter recusado a acrescentar mais comentários, o CEO da PwC ter-se-á também sentido grato (ou aliviado) por não ter tido de encontrar, na Suíça, Isabel dos Santos, que este domingo, depois de terem sido publicadas as primeiras notícias na imprensa internacional, desapareceu da lista de convidados do Fórum Económico Mundial.

Ou então não, garantiu entretanto fonte da organização do evento, que reúne líderes, chefes de Estado, empresários e, pelo segundo ano consecutivo, a ativista ambiental Greta Thunberg — a participação de Isabel dos Santos já teria sido cancelada durante este mês de janeiro, em dia não identificado, mas garantidamente anterior às notícias que deram conta de um alegado desvio de mais de 115 milhões de dólares da Sonangol, declarou o porta-voz Max Hall.

Questionado sobre se o cancelamento teria partido do Fórum Económico Mundial ou da empresária, Hall não quis responder. Garantiu ainda assim que a Unitel, empresa cuja cúpula decidiu há menos de uma semana esvaziar Isabel dos Santos de todo o poder que detinha na administração, se “mantém como parceira” da organização.