O processo de escolha dos nomes para a próxima comissão executiva da CGTP suscitou uma reação negativa por parte da tendência sindical ligada ao Bloco de Esquerda. Um manifesto assinado por 15 dirigentes de sindicatos da CGTP afetos a esta tendência lamenta a ausência de debate e o “fechamento político” da próxima direção da central que será eleita em congresso nos dias 14 e 15 de fevereiro.

Isabel Camarinha vai ser a nova líder da CGTP

Esta segunda-feira foi conhecido o nome que será proposto para suceder a Arménio Carlos como secretário-geral, Isabel Camarinha, mas ainda não se conhecem os elementos a indicar para a futura comissão executiva que é o principal órgão da CGTP. No entanto, e para os dirigentes sindicais próximos do Bloco de Esquerda, a “proposta de composição da comissão executiva é o exemplo do fechamento sectário da CGTP, com a deliberada exclusão da sensibilidade que se exprimiu no manifesto: Trabalho de base, participação, pluralismo interno e democracia sindical: condições para uma CGTP forte e com futuro” e com a desconsideração das suas propostas”.

Este manifesto divulgado em dezembro pedia mais democracia e pluralismo, designadamente ao nível da comissão executiva onde a dita corrente próxima do Bloco de Esquerda não tem assento, ao contrário de outras.

Este novo manifesto é sublinhado ainda “que num congresso que devia abrir caminhos de ampliação e inclusão, o estreitamento, a ausência de renovação política e a exclusão de opiniões é um sinal preocupante sobre o futuro”.

Entre os signatários do documento estão a vice-presidente do Sindicato dos Professores da Grande Lisboa, Albertina Pena, a dirigente da FNAM (Federação Nacional dos Médicos), Tânia Russo, Francisco Alves do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras (SITE), Joaquim Piló, presidente do Sindicato Livre dos Pescadores, ente outros.

Estes dirigentes lamentam ainda que temas como novas formas de trabalho precário — outsorcing e a “uberização” — o combate às desigualdades salariais de género e dentro da mesma empresa, e a resposta sindical às alterações climáticas, “foram totalmente secundarizados”. O debate sobre a ligação da CGTP aos movimentos ou sindicatos que promovem greves climáticas ou feminista também foi evitado, bem como “propostas imprescindíveis” como a “possibilidade da pluralidade de listas, de eleição profissional, do respeito pelo direito de tendência ou da garantia de diversidade na composição dos órgãos foram rejeitadas”.