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O ministério dos Transportes da Venezuela anunciou que irá suspender as operações da transportadora aérea nacional, a TAP, para o país, ao longo dos próximos 90 dias. A medida surge na sequência da tensão entre Caracas e Lisboa a propósito de um voo onde o regime venezuelano diz terem sido transportados “substâncias químicas explosivas” por Juan Marquez, tio do autoproclamado Presidente interino, Juan Guaidó.

Citando as “graves irregularidades cometidas no voo TP173”, Hipólito Abreu anunciou no Twitter que foram suspensas “por 90 duas” as operações da TAP no território venezuelano. A decisão, explica, é uma “medida cautelar para proteger a segurança operacional da Venezuela.”

Contactada pelo Observador, fonte oficial da TAP confirmou a decisão, mas disse não compreender as razões da mesma, reforçando que a a companhia “cumpre todos os requisitos legais e de segurança”, quer em Portugal, quer na Venezuela. “Trata-se de uma medida gravosa que prejudica os nossos passageiros”, declara a mesma fonte, que acrescenta não ter sido dada sequer à companhia “hipótese de exercer o contraditório”.

A medida soma-se à decisão de investigar a companhia aérea portuguesa. De acordo com o jornal venezuelano El Nacional, Hipólito Abreu confirmou em conferência de imprensa que as autoridades do país vão abrir uma investigação à TAP: “As ameaças que surgiram obrigaram-nos a melhorar os nossos padrões de segurança”, afirma, dizendo que estão a ser equacionadas “uma série de multas”, “possíveis sanções” e até “a suspensão da companhia aérea”, dependendo do resultado da investigação.

A TAP faz dois voos para Caracas por semana. A decisão irá afetar sobretudo a comunidade portuguesa no país, como explicaram à Lusa vários empresários. “É uma decisão desagradável, que afeta sobretudo a comunidade portuguesa”, disse à Lusa Fernando Campos, conselheiro das comunidades portuguesas, que não se mostrou surpreendido, mas explicou que “não está de acordo” com a decisão, porque não lhe encontra fundamento.

Vários empresários, questionados pela Lusa sobre a suspensão dos voos, reagiram com “incredulidade”, chegando mesmo alguns a pensar tratar-se “de um rumor das redes sociais”. No entanto, um empresário, à semelhança de outros portugueses, admitiu que “se os voos forem suspensos” vai complicar-se a situação para quem viaja para a Europa, onde há poucas linhas em comparação com as que operavam, há alguns anos, para Caracas.

Um agente de viagens explicou que “a comunidade portuguesa será a mais afetada”, recomendando esperar para ver como “decorrem as negociações entre ambos os países”. “Há relações diplomáticas entre Portugal e a Venezuela, Portugal tem uma palavra a dizer sobre isto e até mesmo a Comunidade Europeia”, frisou.

É a mais recente escalada na troca de argumentos entre o Governo venezuelano e o português. Na sexta-feira passada, o ministério dos Negócios Estrangeiros venezuelano acusou Portugal de minimizar a situação que, afirma, desrespeitou as regras internacionais de segurança da aeronáutica. Para além de acusar o tio de Guaidó de transportar substâncias explosivas, Caracas acusa ainda a TAP de ter deixado Guaidó embarcar com uma identidade falsa.

O homólogo português, Augusto Santos Silva, afirmou esta segunda-feira que as acusações vindas da Venezuela não passam de “manobras de diversão” para esconder o a agressão de que Guaidó foi vítima quando chegou ao país e tentou entrar na Assembleia — o que classificou de “facto mais relevante”.