O parlamento ucraniano ratificou esta quarta-feira a demissão do primeiro-ministro Oleksiy Honcharuk, apresentada a pedido do Presidente Volodymyr Zelenskiy, descontente com os maus resultados económicos e sociais do governo que dirigia há seis meses. No total, 353 deputados aprovaram a decisão, quando eram necessários 226 votos.

Primeiro-ministro ucraniano demite-se depois de divulgadas alegadas críticas ao Presidente

Denys Chmygal, um dos adjuntos de Honcharuk, deverá ser designado para a chefia do executivo ainda esta quarta-feira, informaram as agências noticiosas locais.

“Sejamos objetivos, o governo tem qualidades” mas “para os ucranianos não chega”, declarou Zelenskiy perante os deputados antes da votação, ao evocar inúmeros problemas sociais que não foram solucionados.

Cerca de 10 milhões dos nossos cidadãos vivem no limiar da pobreza”, e entre “os 11 milhões de reformados, a maioria recebe menos de 2.000 hryvnias (cerca de 70 euros) por mês”, assinalou Zelenskiy.

O Presidente também criticou as forças de segurança, que acusou de laxismo.

Prometemos à sociedade ucraniana a vitória sobre a corrupção. De momento, nem sequer é um empate a zero“, declarou, antes de questionar: “Quanto tempo deve a sociedade ucraniana aguardar pelos resultados das grandes investigações?”.

O chefe de Estado, um antigo comediante inexperiente no mundo da política mas eleito triunfalmente em abril de 2019, também sublinhou que, apesar de a política pró-ocidental da Ucrânia “permanecer inalterável”, é necessário “corrigir os erros”.

Honcharuk, que aos 35 anos se tornou no mais jovem chefe de governo da história da Ucrânia, era uma das apostas de Zelenskiy para alterar uma paisagem política estagnada dominada por velhas elites consideradas corruptas e ineficazes.

Denys Chmygal, 45 anos, que foi designado para o substituir, era desde agosto de 2019 governador da região de Ivano-Frankivsk (oeste), até à sua nomeação em fevereiro para o posto de vice-primeiro-ministro.