O novo coronavírus está a preocupar o mundo desde o final do ano passado, quando começaram a surgir os primeiros casos de infeção pelo vírus Sars-CoV-2, que provoca a doença Covid-19, e que obrigou a Organização Mundial de Saúde (OMS) a decretar uma pandemia.

A maior parte das pessoas que fica infetada apresenta sintomas ligeiros, semelhantes aos de uma gripe. Cerca de 80% recupera sem precisar de um tratamento especial, escreve o The Guardian citando a OMS — apenas uma em seis pessoas fica seriamente doente e desenvolve dificuldades em respirar. No mundo, mais de 100 mil pessoas já recuperaram da Covid-19 e mais de 15 mil morreram. Mas no caso de a Covid-19 gerar pneumonia, o que é acontece aos nossos pulmões?

A edição australiana do The Guardian entrou em contacto com o professor John Wilson, presidente recém-eleito do Royal Australasian College of Physicians, que assegura que quase todas as consequências mais graves associadas à Covid-19 resultam efetivamente em pneumonia.

Quando as pessoas infetadas desenvolvem tosse e febre, isso pode resultar do facto de a infeção estar a chegar à árvore respiratória que conduz o ar entre os pulmões e o exterior. O revestimento da árvore brônquica fica inflamado com atingimento também das terminações nervosas. Caso a situação progrida, a inflamação vai até ao final da via aérea onde estão as unidades de trocas gasosas (os alvéolos). Nestes ocorre também uma reação inflamatória, o que resulta em pneumonia.

Nesse contexto, os pulmões são incapazes de obter oxigénio suficiente para a corrente sanguínea, o que por sua vez reduz a capacidade do corpo de absorver oxigénio e livrar-se do dióxido de carbono.

Até ao momento não existe qualquer cura para a Covid-19, pelo que a solução, considerando um doente infetado e com pneumonia, passa pela ventilação e manutenção de elevados níveis de oxigénio nos pulmões até que estes consigam funcionar novamente de maneira normal à medida que recuperam, segundo explicou à edição australiana do The Guardian Christine Jenkins, presidente da Lung Foundation Australia.

Christine Jenkins explicou ainda que a pneumonia derivada da infeção por Covid-19 é diferente da variante mais comum, pela qual as pessoas tendem a ser admitidas nos hospitais. Até agora, as provas apontam para que a pneumonia resultante do novo coronavírus seja particularmente mais severa e seja capaz de atingir os pulmões num todo, ao invés de se afetar apenas algumas partes.

Aquando a infeção, a primeira resposta do corpo é tentar destruir o vírus e limitar a sua propagação, um “mecanismo de resposta imediata” que pode não funcionar em pessoas com problemas cardíacos e pulmonares ou com diabetes ou idosos. “A idade é o principal preditor [prenunciador de risco de morte por pneumonia]. A pneumonia é sempre grave para uma pessoa idosa”, disse ainda Christine Jenkins.