O presidente russo falou esta quinta-feira à nação para estender o confinamento decretado para esta semana até ao final do mês de abril, de forma a travar o avanço da pandemia de Covid-19 no país. Segundo a Associated Press, num discurso transmitido na televisão, Vladimir Putin reiterou o pedido já feito aos russos para que não saíssem de casa para trabalhar. A medida vai abranger parte da máquina industrial russa.

Inicialmente decretado até ao próximo domingo, dia 5 de abril, o regime de confinamento anunciado pelo presidente previu desde início algumas ações penais para coagir os incumpridores. Por estes dias, violar a quarentena em solo russo pode resultar em prisão até sete anos.

A mensagem de Putin foi transmitida na televisão, esta quinta-feira © ALEXANDER NEMENOV/AFP via Getty Images

“A ameaça permanece e os especialistas acreditam que a pandemia ainda não atingiu o pico mundial, incluindo o nosso país”, referiu o presidente russo, durante o discurso desta quinta-feira. “Uma economia estável e eficiente é fundamental para resolver a situação que temos em mãos, incluindo o no que toca ao nosso sistema de saúde”, completou.

A preocupação em preservar a economia prevalece, com o presidente a querer evitar uma subida drástica do desemprego. Com a nação parcialmente parada, Putin sublinhou que todos os trabalhadores, mesmo em casa, devem continuar a receber os seus salários. Face à ordem de confinamento, o presidente abre exceções para as indústrias de setores essenciais, para supermercados e farmácias. Definir os setores prioritários será responsabilidade das autoridades locais de cada território.

Em Moscovo, por exemplo, as medidas estão a ser especialmente apertadas, depois de, no último fim de semana, muitos restaurantes e cafés terem persistido em montar as suas esplanadas ao ar livre. Desde domingo que sair à rua só é possível para ir trabalhar, caso seja uma função essencial, para ir à farmácia mais próxima, para comprar mantimentos ou para passear animais de estimação, numa distância máxima de 100 metros. As autoridades locais tencionam recorrer à localização através dos telemóveis, bem como aos circuitos públicos de videovigilância para controlar a população.

Uma das artérias de Moscovo praticamente deserta esta quinta-feira © Marina LystsevaTASS via Getty Images

O presidente garantiu que as medidas tomadas estão a refletir-se num abrandamento do surto. Esta quinta-feira, a Rússia anunciou um total de 3.548 casos de infeção de Covid-19, com 771 novos casos nas últimas 24 horas, o que representa uma subida de 43%. O número de mortos na sequência da infeção é de 30, números que continuam a suscitar suspeitas, dada a dimensão do território, a população (cerca de 145 milhões) e a proximidade da China. A fronteira entre os dois países foi fechada por decisão de Putin no final de janeiro.

O presidente russo está atualmente isolado e a trabalhar remotamente, depois de ter estado em contacto com um médico infetado pelo novo coronavírus. Denis Protsenko, responsável pelo principal hospital de Moscovo no tratamento a pacientes com Covid-19, tinha guiado o presidente numa visita guiada, há cerca de uma semana e meia, e foi diagnosticado na passada terça-feira. O Kremlin continua a negar que Vladimir Putin possa estar infetado.