Um novo ataque contra um autocarro fez esta sexta-feira um morto e quatro feridos na zona do rio Pungue sul, no limite entre os distritos de Nhamatanda e Gorongosa, junto a N1, a principal estrada de Moçambique, disseram à Lusa várias testemunhas.

O carro foi regado de balas numa mata depois de termos passado a ponte” sobre o rio Pungue, disse à Lusa Eulalia Frederico, uma passageira que sobreviveu ao ataque.

O autocarro da companhia City Link viajava da Beira para Quelimane e foi alvejado cerca das 8h horas locais (7h em Lisboa) quando seguia numa escolta policial, que patrulha o troço Inchope-Gorongosa.

Nas imagens postas a circular nas redes sociais o autocarro, parado no hospital rural de Gorongosa, apresenta várias perfurações de balas no perfil lateral direito, do lado de motorista, e os vidros das janelas partidos. “Acabávamos de sair de Inchope, de onde partimos às 7h (6h em Lisboa)” disse uma outra passageira, adiantando que as vítimas foram socorridas para o hospital rural de Gorongosa.

Este é o terceiro ataque em dois dias numa onda de violência armada que desde agosto já provocou 22 mortos.

Na quinta-feira, um autocarro que fazia o sentido sul-norte de Moçambique foi alvejado por vários tiros ao longo do perfil lateral, do lado do motorista, cerca das 8h (7h em Lisboa), pouco depois de passar a povoação de Mutindiri, tendo três pessoas ficado feridas de forma ligeira, incluindo o condutor. Meia hora depois, um outro autocarro, que fazia o mesmo percurso, foi metralhado e atingido por várias balas na parte traseira no mesmo troço, no meio de outros dois autocarros, tendo duas pessoas sofrido ferimentos ligeiros.

Os dois veículos e passageiros pernoitaram na povoação de Muxungué, de onde o transporte saiu às 7h e foram alvejados pouco depois de terem deixado o troço com escolta militar no distrito de Chibabava, na província de Sofala, perto da linha que a separa da província de Manica.

O ataque surge na sequência de outros em estradas e povoações das províncias de Manica e Sofala, por onde deambulam guerrilheiros dissidentes da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), liderados por Mariano Nhongo. O grupo tem ameaçado recorrer à violência armada para negociar melhores condições de reintegração social do que aquelas acordadas pelo seu partido com o Governo, mas, por outro lado, também se tem recusado a assumir a autoria dos ataques.

A zona do ataque tem sido palco de outras incursões naquele troço que liga o Norte ao Inchope, importante entroncamento com a EN6 (entre Beira e Zimbábue).