Os dados já permitem ter um perfil da forma como a doença avançou em doentes portugueses. A diretora-geral de Saúde, Graça Freitas, disse esta sexta-feira na conferência de imprensa conjunta entre DGS e governo, que “entre a data de início dos sintomas e a data do óbito passam em média oito dias”. A mediana de idade entre os mortos é de 85 anos nas mulheres e de 80 anos nos homens e Graça Freitas destaca que “a maior parte destas pessoas, além do fator idade, têm várias doenças, habitualmente mais do que uma.” O boletim aponta esta sexta-feira para 246 mortos.

As doenças de maior risco de “desfecho negativo” são, também pela amostra portuguesa, as do “aparelho cardio-circulatório, as respiratórias, diabetes, doença renal crónica, neoplasias e doenças cerebro-vasculares”. A diretora-geral de Saúde diz, no entanto, que estar infetado e ter uma destas doenças não é uma fatalidade: “Há muitos idosos com mais de 80 anos e com mais de três doenças que felizmente tiveram alta”, acrescentando que taxa de mortalidade não é “de todo de 100%”. Sobre a taxa de letalidade do país, o secretário de Estado da Saúde destacou que há uma taxa de mortalidade global de 2,5% e uma letalidade acima dos 70 anos de 10,2%.

Sobre a utilização de máscara ou não, que continua a não ser consensual mesmo na comunidade científica, Graça Freitas passa a bola para a Organização Mundial de o Centro Europeu de Controlo de Doenças. A diretora-geral de saúde diz que Portugal só vai recomendar o uso de máscaras também a quem não está infetado se alguma destas duas entidades, com quem a DGS está “alinhada”, assim o entender. Graça Freitas destaca no entanto que “não há uma única medida completamente eficaz” e que “nenhuma medida é milagrosa”. Ainda assim admite, no futuro, mudar de opinião: “Se vier ser recomendado internacionalmente, vai ser recomendado em Portugal”.

Graça Freitas responde à questão das grávidas: “Gravidez deve ser seguida. Mas quando gravidez chega ao término deve ser feito um teste. Nos casos em que a maternidade é só maternidade, a grávida deve ser reencaminhada para onde existam outros serviços”. Quanto ao pai assistir ao parto, se a grávida for Covid positivo, terá de ser a equipa médica a decidir. “Não queremos uma criança em que o pai e a mãe sejam ambos positivos”.

DGS diz que teve “sempre uma política em relação aos lares”. Foi mesmo assim?

A diretora-geral de saúde diz que as autoridades não acordaram tarde para o problema dos lares_ “Nós tivemos sempre uma política em relação aos lares. Há uma intervenção junto dos lares que está em norma há muito tempo. Desde logo o início que dissemos que para entrar num lar, o novo utente tem de fazer um teste e fazer utente.” E acrescenta:”O que não podemos impedir que os profissionais circulem do exterior para o interior da entidade.” No entanto, o primeiro caso confirmado em Portugal foi no dia 2 de março e a primeira conferência de imprensa diária em que foi comunicado que seriam alargados os testes aos lares foi no dia 20 de março. Ou seja: 18 dias depois do primeiro caso e apenas há apenas duas semana.

Graça Freitas garante que atualmente “num lar em que se suspeite que há sintomas”, a regra é “isolar, isolar, isolar” e depois “testar, testar, testar.” Por fim, “separar: os mais graves irão para os hospitais, os outros a comunidade tomará conta deles”. Além disso, garante que “tem havido orientações e imensas reuniões entre o setor da saúde e social a nível nacional.”

Sobre a questão de ter ou não sido ponderada uma cerca sanitária no Porto, António Sales que essa competência era do “primeiro-ministro e do ministro da Administração Interna”. Em relação ao Porto, esclarece, o que “disse foi que não havia naquela altura qualquer ponderação relativamente a essa matéria”.

Graça Freitas diz que o disse na altura é o que faz como “autoridade de saúde nacional todos os dias: Todos os dias com os meus colegas das regiões e eles com os colegas locais reequacionamos qual é a situação epidemiológica daquela zona”. Este processo, explica, “chama-se  fazer avaliação de risco, e não tem a ver com emergência sanitária, tem a ver com contágio, com número de doentes e com propagação da doença. E, portanto, é equacionar medidas, outra é essas medidas serem levadas avante”. E acrescenta: Essa equação “é feita com base numa avaliação de médico, é uma avaliação do risco que é feito em relação a uma população. Isso é feito pelas autoridades de saúde depois tudo o resto que vem atrás, obviamente não são as autoridades de saúde que determinam as cercas sanitárias.”

Os números do governo: Dos 24 milhões de máscaras às 15.420 chamadas

O secretário de Estado da Saúde, António Sales, lembrou que abril é “o mês mais crítico”, mas avisa que é preciso não “vacilar”. Coube ao governante dar os números quer de testes, quer de chamadas, quer da utilização dos centros Covid-19. Para o governo o “aumento de testagem continua a ser uma prioridade” e revela que de 1 de março a 1 de abril foram processadas cerca de 86 mil amostras para diagnóstico de covid-19″ e que só no dia 1 de abril, “foram processadas cerca de 7900 amostras”.

O secretário de Estado destacou ainda que a aquisição de equipamento é crucial” e que “está prevista a chegada faseada de 24 milhões de máscaras cirúrgicas até ao final de abril e 1,8 milhões de máscaras PFF2 até ao final de maio”. António Sales garantiu ainda que se tem assistido a uma “melhoria continua na linha SNS24“,  destacando que houve “19.263 chamadas, das quais 15.420 foram atendidas e 10.822 de números únicos”. O tempo média de espera, destaca, é agora “5 minutos e 52 segundos”. Nos centros Covid-19 (os chamados ACES) trabalharam 71. 690 profissionais e foram atendidos 54.877 utentes.