Este domingo, 23 educadores do Serviço Educativo Artes da Fundação de Serralves, “no regime de colaboradores externos em permanência”, escreveram uma carta aberta a Isabel Pires de Lima, vice-presidente do Conselho de Administração da Fundação de Serralves, reivindicando os seus postos de trabalho, uma vez que foram suspensos devido à suspensão da programação pela atual crise pandémica.

O apelo surge depois de Isabel Pires de Lima assinar a 26 de março o “Manifesto em Defesa de um Presente com Futuro”, onde constam várias medidas como bolsas, fundos, programas de encomendas e apoios.

“São precisas medidas rápidas. Vimos solicitar ao Governo, às regiões autónomas, aos municípios, aos bancos, às empresas, às fundações, que assumam iniciativas para que Portugal e o seu sistema cultural não se diminuam de forma drástica. Cada instituição tem de assumir as suas responsabilidades próprias. Não há tempo para jogos políticos menores ou falta de ética”, pode ler-se no documento subscrito por personalidades como Jorge Barreto Xavier, Pedro Abrunhosa, Olga Roriz ou Camané.

A equipa de educadores leu “com muito agrado” o nome de Isabel Pires de Lima no documento, mas considera que a resposta da Fundação de Serralves “em tudo contraria o Manifesto que subscreveu”. Depois de a 13 de março a Fundação de Serralves ter suspendido toda a sua programação, a 17 de março a equipa de educadores diz ter formalizado várias propostas à Fundação, “mostrando-se disponível para conceber, desenvolver e orientar atividades, pensando em novos formatos que permitam não só responder a este momento de crise pandémica que atravessamos, mas que possam alcançar novos públicos e sedimentar novas ligações da Fundação de Serralves com a comunidade”.

Face aos cancelamentos de atividades calendarizadas com os educadores, a Fundação de Serralves informou que “cumpriu integralmente os seus compromissos de pagamento dos serviços efetivamente prestados e continuará, como sempre fez, a cumprir as suas obrigações quando haja lugar à efetiva prestação de serviços.”

No que diz respeito à proposta de prestação de serviços dos educadores em regime de teletrabalho, a instituição refere que para poder “programar todas as atividades futuras estamos naturalmente dependentes da cessação do estado de emergência ou de uma alteração ao âmbito do mesmo”.

Na carta, os trabalhadores lamentam não terem obtido resposta por parte da Fundação de Serralves às propostas enviadas. “Tivemos conhecimento público, através das redes sociais, newsletter e comunicação social, de propostas de atividades online do Serviço Educativo na linha das propostas que apresentamos”, acrescentam.

No passado dia 29 de Março, a Fundação lançou SOLE (Serralves On Line Experience) uma iniciativa permite aceder a exposições, filmes, música, livros, programas educativos, deambulações naturais e experiências de aprendizagem”, através das redes sociais da instituição.

“Cabe-nos esclarecer que nenhuma das atividades online propostas até ao momento foi desenvolvida pelos educadores do Serviço Educativo Artes de Serralves, porque a Fundação não deu qualquer resposta à nossa proposta de desenvolvimento de um programa de atividades online, à exceção de uma atividade solicitada a uma dupla de educadoras sobre Joan Miró”, explicam.

Na carta redigida este domingo, a equipa denuncia ainda que “alguns educadores foram ainda solicitados para adaptar o programa Sazonalidades — 5 sessões de oficinas diárias de 6 horas durante as férias da Páscoa — , para um formato online que seria remunerado pelo valor de uma sessão única”. Os educadores informaram a Fundação que consideravam “o valor injusto e desajustado, uma vez que as atividades inicialmente propostas e aprovadas não eram adaptáveis e a criação de novas oficinas exigiria outros honorários”. Até à data, garantem não terem tido qualquer resposta.

Contactada pelo Observador, a administração de Serralves diz não fazer qualquer comentário sobre esta matéria.