O presidente da Câmara Municipal de Castro Daire disse esta quinta-feira à agência Lusa que valida e apoia a decisão do Governo de avançar com uma cerca sanitária no concelho, uma vez que a pandemia está a ter “contornos bastante alarmantes”.

Somos da opinião que são necessárias medidas, não de sensibilização e de recomendação, mas medidas que imponham regra e ordem nas pessoas. E, nesse sentido, colocámos em cima da mesa e estamos de acordo com a aplicação de medidas restritivas no nosso concelho, nomeadamente com a questão da cerca sanitária”, explicou Paulo Almeida.

O presidente da Câmara Municipal de Castro Daire disse à agência Lusa que a decisão surgiu na sequência de reuniões, desde a noite de quarta-feira, com comissão da proteção civil, “tendo em conta a subida dos números de infetados”.

Não depende da nossa decisão, mas essa é a nossa vontade. A decisão compete ao Governo e, numa estreita colaboração entre as várias entidades, a autarquia fez essa solicitação, juntamente com a Autoridade Local da Saúde, para esta imposição de medidas restritivas, nomeadamente a cerca sanitária. É a nossa vontade”, reforçou.

Paulo Almeida acrescentou que “a Autoridade Local de Saúde tem de enviar um relatório, mas tem o conforto do município e da comissão da proteção civil a validar e apoiar essa decisão”. Paulo Almeida contou que esta quinta-feira “parecia um dia normalíssimo no fluxo de pessoas nas ruas”. “E isso é evidentemente uma extrema preocupação, porque a única forma de evitar a propagação é evitar o contacto social. E com tanta gente na rua, a preocupação é grande” para o executivo municipal.

“Eu sei que o cordão vai originar o encerramento de várias coisas, como empresas, serviços, se for como na lógica de Ovar. Mas é preciso aplicar medidas mais restritivas para evitar a propagação” da pandemia, defendeu.

A diretora-geral da Saúde afirmou esta quinta-feira que “está a ser equacionado” um cordão sanitário ao município de Castro Daire, distrito de Viseu, pelo elevado número de casos registados de Covid-19. Na conferência de imprensa de acompanhamento da pandemia realizada esta quinta-feira, Graça Freitas afirmou que o novo cordão sanitário “está, de facto, a ser equacionado, em articulação entre as autoridades de saúde, as autoridades municipais e o mecanismo de proteção civil”.

A responsável indicou que a autoridade de saúde regional fez uma “avaliação de riscos” e que, em conjunto com a câmara municipal, que coordena a proteção civil no concelho, “vão fazer uma proposta superior, que será entregue à ministra da Saúde e depois será entregue a quem tem esta tutela”.

Em qualquer momento, remeteremos para a senhora ministra, que depois fará seguir”, referiu Graça Freitas depois de questionada sobre o número de casos confirmados no concelho, que atinge 65, com 140 pessoas a aguardarem resultados.

Na quarta-feira à noite eram, nas contas de Paulo Almeida, “64 e, às 18h30 de hoje, já são 72 casos, a juntar a isso  há casos em várias unidades de terceira idade, como lares e também espalhados” por todo o concelho. “Adicionando ainda o facto de, em alguns desses casos, já não se perceber qual é a origem e isso deixa-nos uma preocupação extrema, até porque com essa informação já estamos a entrar na fase de transmissão comunitária ativa, já se transmite de uma forma quase natural”, adiantou. “O ponto de situação, neste momento, é bastante complicado”, assumiu.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da Covid-19, já infetou mais de 1,5 milhões de pessoas em todo o mundo, das quais morreram quase 89 mil. Dos casos de infeção, mais de 312 mil são considerados curados.

Em Portugal, segundo o balanço feito esta quinta-feira pela Direção-Geral da Saúde, registaram-se 409 mortes, mais 29 do que na véspera (+7,6%), e 13.956 casos de infeções confirmadas, o que representa um aumento de 815 em relação a quarta-feira (+6,2%). Dos infetados, 1.173 estão internados, 241 dos quais em unidades de cuidados intensivos, e há 205 doentes que já recuperaram.