O PAN abre esta quarta-feira o debate quinzenal com o primeiro-ministro, numa discussão em que pelo menos o Bloco de Esquerda indicou que voltará a questionar António Costa no parlamento sobre o Novo Banco.

Caberá ao deputado André Silva, porta-voz do partido Pessoas-Animais-Natureza, abrir a discussão na Assembleia da República, pelas 15h, com fonte do PAN a indicar que pretende abordar os temas da “transparência, direitos sociais e proteção animal”.

Este será o quarto debate quinzenal consecutivo aberto pelos partidos – de acordo com o Regimento da Assembleia da República estes alternariam na abertura da discussão com o Governo -, já que, desde 22 de abril, o primeiro-ministro decidiu prescindir da intervenção inicial por entender que, em tempos de pandemia de Covid-19, devem ser os partidos a colocarem ao Governo as suas questões.

Numa ronda feita pela Lusa pelas várias bancadas, além do PAN, também PS, BE, PCP e Verdes anteciparam, de forma genérica, os temas sobre os quais vão questionar o primeiro-ministro.

Se o PS aposta nos temas da economia e da recuperação – assunto que também será central na intervenção do PEV – o PCP quer confrontar Costa com os problemas dos trabalhadores, dos micro, pequenos e médios empresários e com questões ligadas à saúde.

Já fonte do BE disse à Lusa que as perguntas ao primeiro-ministro incidirão nas áreas da cultura, saúde e, uma vez mais, sobre o Novo Banco.

O último debate quinzenal realizou-se em 7 de maio e foi precisamente uma resposta do primeiro-ministro à coordenadora do BE, Catarina Martins, sobre o Novo Banco que viria a desencadear a polémica que marcou as últimas duas semanas.

Sobre o Novo Banco a resposta que tenho para lhe dar não tem grande novidade relativamente à última vez que me fez a pergunta, ou seja, a auditoria está em curso e até haver resultados da auditoria não haverá qualquer reforço do empréstimo do Estado ao Fundo de Resolução para esse fim”, respondia António Costa, há duas semanas.

Horas depois, o Expresso online revelava que a transferência de 850 milhões de euros já tinha sido feita nessa semana, o que levou o primeiro-ministro a explicar que não tinha sido informado pelo Ministério das Finanças e a pedir desculpa ao Bloco de Esquerda pela informação errada transmitida durante o debate quinzenal.

A polémica continuaria na semana seguinte e culminaria numa reunião de várias horas, na quarta-feira à noite em São Bento, entre Mário Centeno e António Costa. No final, o primeiro-ministro reafirmou publicamente a sua confiança pessoal e política no ministro de Estado e das Finanças.

O comunicado referia que ficaram “esclarecidas as questões relativas à falha de informação atempada ao primeiro-ministro sobre a concretização do empréstimo do Estado ao Fundo de Resolução, que já estava previsto no Orçamento de Estado para 2020, que o Governo propôs e a Assembleia da República aprovou”.

Desde então, quer o ministro das Finanças quer o primeiro-ministro têm procurado dar o assunto por encerrado, com Mário Centeno a dizer que a crise “foi ultrapassada” ou, segundo António Costa, que “não há crise”.